Duas falhas críticas foram identificadas no navegador Google Chrome e demais navegadores baseados em Chromium: CVE‑2026‑3909 (Skia) e CVE‑2026‑3910 (V8). Ambas já estão sendo exploradas em ataques reais e receberam pontuação CVSS 8.8.
- CVE‑2026‑3909 – falha de escrita fora dos limites (out‑of‑bounds write) na biblioteca gráfica Skia, podendo levar a corrupção de memória e eventual execução de código arbitrário ao visitar páginas HTML especialmente preparadas.
- CVE‑2026‑3910 – falha de implementação no motor JavaScript/WebAssembly V8, permitindo execução de código dentro da sandbox do navegador a partir de páginas maliciosas.
Esses tipos de falhas são vetores frequentes de ataques e representam risco significativo para a infraestruturas.
Sobre Navegadores, Skia e V8
Skia é a biblioteca de gráficos 2D usada como motor de renderização (texto, imagens, formas) no Chrome/Chromium, ChromeOS, Android, Flutter e outros produtos, escrita em C++ e mantida pela Google, fornecendo uma camada comum de APIs gráficas multiplataforma.
V8 é o motor de JavaScript e WebAssembly de alto desempenho do Chrome/Chromium (também usado no Node.js), escrito em C++, responsável por analisar, compilar JIT e executar código JavaScript, implementando o padrão ECMAScript e rodando em múltiplas arquiteturas.
Atualmente, mais de 70% dos navegadores desktop usam Chromium devido à compatibilidade com sites modernos. Uma lista não exclusiva inclui: Google Chrome, Microsoft Edge, Brave, Perplexity Comet, Opera e Vivaldi.
Atenção especial deve ser dada aos navegadores agênticos (com capacidades de IA autônoma para tarefas como navegação, compras ou automação) baseados em Chromium/Chrome. Os principais são:
- Arc Browser: Integra IA para resumir páginas, responder perguntas e gerenciar abas automaticamente.
- SigmaOS: Agente de IA que navega e executa fluxos de trabalho por comandos naturais.
- Comet Browser: Focado em automação agêntica para produtividade e tarefas online.
- Undetectable.io: Chromium modificado para perfis agênticos em multi-contas e anonimato.
Esses usam o motor Blink/V8 do Chromium com extensões de IA, ideais para cenários de automação, mas exigem atualizações essas CVEs recentes.
Solução
Atualização imediata dos navegadores baseados em Chromium.
O Google publicou atualização emergencial do Chrome, corrigindo as duas vulnerabilidades nas versões ≥ 146.0.7680.75 (Windows e Linux) e ≥ 146.0.7680.76 (macOS), com correção específica também para Android.
Navegadores baseados em Chromium (por exemplo, Microsoft Edge, Brave, Opera, Comet, etc) devem receber atualizações equivalentes de seus respectivos fornecedores.
Outras ações recomendadas
- Inventariar estações, notebooks e servidores que utilizem Chrome ou outros navegadores baseados em Chromium, incluindo quiosques, laboratórios e máquinas de uso compartilhado.
- Acelerar o ciclo de patching para endpoints críticos, usuários privilegiados, equipes administrativas e ambientes com maior exposição à navegação externa.
- Reforçar monitoramento em EDR, proxy e firewall para comportamentos suspeitos originados de processos de navegador (spawns de shells, conexões persistentes incomuns após crash do navegador, acesso a páginas com JavaScript fortemente ofuscado ou imagens/payloads atípicos).
- Divulgar orientação aos usuários para reiniciar o navegador após a atualização, evitar atrasar a instalação de patches e manter atenção a comportamentos anômalos do browser (travamentos repetidos, janelas estranhas, redirecionamentos inesperados).
Enquanto a correção não for plenamente aplicada, estações desatualizadas devem ser consideradas em estado de risco elevado para comprometimento via navegação web, haja visto que nesse momento (13/3/2026 18:30 GMT-3) há indícios de exploração ativa.
Nota de transparência: Este artigo NÃO utilizou de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa para sua escrita, exceto para realização de pesquisa e validação de referências. Os demais o conteúdos foram elaborados e revisados pelo autor.







