Esse é um alerta crítico. A Microsoft lançou no início da noite de ontem (26 de janeiro de 2026) uma atualização de segurança de emergência, para corrigir a vulnerabilidade zero-day CVE-2026-21509, que permite contornar de proteções contra controles inseguros nos aplicativos Microsoft Office, fazendo que um ataque possa acontecer por intermédio de um documento ou arquivo malicioso, possivelmente sem interação do usuário.
A vulnerabilidade atinge aplicações Microsoft Office / 365 tanto no Windows como no macOS (veja comentário sobre o MacOS no final dessa postagem).
Temos notícias de que vulnerabilidade essa está sendo explorada ativamente por atacantes usando documentos maliciosos.
Essa falha afeta todas as versões, tais como Office 2016, 2019, LTSC 2021/2024 e Microsoft 365 Apps Enterprise, bem como Microsoft 365 Standalone ou Famility Edition, tanto no Windows quanto no macOS.
O que fazer, imediatamente
Aplique as atualizações de segurança do Microsoft Office via Microsoft Update ou WSUS.
Reinicie as aplicações Microsoft 365 (muito importante), ou faça um reboot.
Como mitigação temporária, configure o registro do Windows com a chave “Compatibility Flags” = 0x400 em HKEY_CURRENT_USER\Software\Microsoft\Office[version]\Common para reforçar as proteções OLE.
Monitore phishing com anexos Office, dado o uso em campanhas direcionadas.
Nota importante: reinicie a aplicação
Não há um “número de versão/build” específico a partir do qual se esteja seguro, pois a correção é aplicada via service-side change (mudança da regra de proteção COM/OLE nos servidores Microsoft). Assim, Office 2021 e posteriores, que estejam atualizados, ficam protegidos com a versão mais recente que você tenha testado como atualizada em 26/01/2026, e após reinício completo dos aplicativos, sem necessidade de novo patch de instalação ou alteração no número da versão local. Ou seja, se sua versão já estiver atualizada, pode ser que você não veja uma mudança no número de versão.
Severidade CVSS E EPSS
A pontuação CVSS de severidade dessa vulnerabilidade é 7.8 (alta severidade). No momento de escrita desse alerta (27/01/2026 9h43m BRT), ela ainda não possui um score EPSS (Exploit Prediction Scoring System) disponível nos dados públicos recentes, pois foi divulgada há apenas um dia (26 de janeiro de 2026). O EPSS é atualizado diariamente pela FIRST.org com base em dados de exploração real. Como ela está sendo explorada ativamente e listada no catálogo KEV da CISA, espera-se um score EPSS elevado. Verifique em https://www.first.org/epss/search?cve=CVE-2026-21509 para o valor mais atual.
Detalhamento
As proteções contra controles COM/OLE inseguros no Microsoft Office são mecanismos de segurança implementados para bloquear a execução automática de objetos “COM” (Component Object Model) e “OLE” (Object Linking and Embedding) potencialmente maliciosos.
Objetos COM/OLE perigosos são componentes ActiveX ou objetos vinculados, embutidos, anexados ou inseridos em documentos do Microsoft Office (como ícones, gráficos ou mini-aplicativos de outros programas) que podem conter código malicioso.
Eles podem explorar a confiança automática do Office para executar scripts ou payloads sem interação segura do usuário, permitindo roubo de dados, instalação de malware ou controle remoto do sistema, como observado em ataques por meio de macros VBA, arquivos HTA ou streams OLE ofuscados em documentos Word ou Excel.
A Microsoft introduziu mecanismos de mitigação, incluindo kill bits, para reduzir esses riscos, especialmente em cenários de phishing com anexos maliciosos. Em segurança cibernética, chamamos essas proteções de “kill bits“. Esses kill bits são flags de segurança no Registro do Windows que desabilitam a criação ou execução de controles ActiveX específicos no Microsoft Office. A vulnerabilidade zero-day CVE-2026-21509 no Microsoft Office explora uma falha relacionada a essa proteção, permitindo contornar a restrição imposta pelos kill bits.
Apple / macOS
A CVE-2026-21509 afeta sim o Microsoft 365 no macOS, especificamente as Microsoft 365 Apps for Enterprise, Family e Standalone (incluindo Word, Excel, PowerPoint, Outlook), pois as mitigações OLE/COM são aplicadas no cliente Office, não dependentes do Sistema Operacional.
A Microsoft confirma que para Office 2021 e posteriores (incluindo M365), a proteção é via service-side change, requerendo reinício dos apps no macOS após propagação do serviço, similar ao Windows. Verifique atualizações no Microsoft AutoUpdate no macOS e reinicie os apps para ativar a correção emergencial de 26/01/2026.
Apesar da correção ter saído ontem, 26/1/2026, no caso do macOS a versão NÃO vulnerável é a partir de, e incluindo, a Version 16.105.1, de 20/01/2026. Em outras palavras, a instalação em si não muda de número de versão via patch tradicional; o ambiente passa a ficar protegido quando o tenant já recebeu a atualização no serviço e o usuário reinicia Word/Excel/PowerPoint/Outlook, momento em que as novas mitigações OLE/COM entram em vigor.
Caso queira verificar e forçar uma atualização no macOS, os comandos via terminal são os seguintes:
cd "/Library/Application Support/Microsoft/MAU2.0/Microsoft AutoUpdate.app/Contents/MacOS"
./msupdate --list # Lista atualizações disponíveis
./msupdate --install # Instala todas
Adriano Mauro Cansian, Doutor em Física Computacional e Professor Associado e pesquisador da UNESP – Universidade Estadual Paulista, possui 30 anos de experiência em pesquisa, desenvolvimento e ensino de segurança cibernética. Fundador e coordenador do Laboratório ACME! Cybersecurity Research, e revisor das revistas “Computers & Security” e “International Journal of Forensic Computer Science“, consultor e membro de vários comitês e organizações técnicas para promover a pesquisa em segurança da informação, além de atuar como voluntário em organizações de governança da Internet.
Complementando as informações sobre a campanha BRICKSTORM, sobre a qual falamos em postagem anterior.
Atribuída ao grupo UNC5221 (atores patrocinados pela China), BRICKSTORM está associada a múltiplas vulnerabilidades críticas em dispositivos de perímetro e em infraestruturas de acesso remoto. Embora BRICKSTORM em si não seja uma vulnerabilidade específica (ela é um malware do tipo “backdoor“), os atores exploram várias CVEs para obter acesso inicial aos ambientes das vítimas.
A seguir listamos todas as CVEs que apuramos estarem associadas a essa campanha. Nossa recomendação é que o leitor faça a gestão de vulnerabilidades e corrija ou mitigue essas vulnerabilidades, para evitar ser vítima dessa campanha.
Observação: os valores de EPSS foram levantados em 26/12/2025.
EPSS (CVE-2025-0282): 94.11% – Probabilidade muito alta de exploração nos próximos 30 dias.
EPSS (CVE-2025-0283): 22.99% – Probabilidade moderada de exploração nos próximos 30 dias.
Descrição: CVE-2025-0282 é um buffer overflow baseado em stack não autenticado que permite execução remota de código (RCE). Exploração bem-sucedida resulta em acesso não autenticado ao appliance VPN, levando a comprometimento potencial de toda a rede downstream.
Exploração por UNC5221: Zero-day exploitation começou em meados de dezembro de 2024. Após exploração, UNC5221 implanta múltiplas famílias de malware customizado incluindo ZIPLINE, THINSPOOL, LIGHTWIRE e WARPWIRE.
Técnicas Pós-Exploração:
Desabilitar SELinux;
Bloquear syslog forwarding via iptables;
Remontar drive como read-write;
Implantar web shells em getComponent.cgi e restAuth.cgi;
Usar PHASEJAM dropper para modificações persistentes;
Simular atualizações do sistema para evitar detecção.
Versões Afetadas: 22.7R2.5 e anteriores, 9.x (end of life).
Data de Divulgação: 3 de abril de 2025.
Severidade: Crítica.
EPSS: 49.13% – Probabilidade moderada-alta de exploração nos próximos 30 dias
Descrição:Buffer overflow que permite execução remota de código. Exploração bem-sucedida resulta em RCE no appliance VPN.
Exploração por UNC5221: Exploração ativa observada desde março de 2025. Após exploração inicial, UNC5221 implanta BRICKSTORM e outras ferramentas de backdoor para manter acesso persistente.
EPSS: 94.37% – Probabilidade muito alta de exploração nos próximos 30 dias.
Descrição: Bypass de autenticação que permite acesso não autorizado ao appliance.
Exploração por UNC5221: Explorado desde dezembro de 2023 como parte de campanha de longa duração. Combinado com CVE-2024-21887 para obter acesso inicial.
Tipo: Divulgação de Informação Sensível / Buffer Overflow.
Plataforma:Citrix NetScaler ADC e NetScaler Gateway appliances.
Severidade: Crítica.
EPSS: 94.35% – Probabilidade muito alta de exploração nos próximos 30 dias.
Exploração por UNC5221: Zero-day exploitation documentado. Parte do histórico de UNC5221 de exploração de zero-days em dispositivos edge.
Relação com BRICKSTORM
Como já mencionado, BRICKSTORM não é uma vulnerabilidade específica, mas sim um malware backdoor implantado após exploração bem-sucedida de uma das CVEs acima. O fluxo típico de ataque é:
Acesso Inicial: Exploração de CVE em dispositivo edge (Ivanti, NetScaler, etc.).
Implantação de Malware: Após RCE, UNC5221 implanta BRICKSTORM ou outras ferramentas de backdoor.
Persistência: BRICKSTORM estabelece comunicação C2 criptografada e permite movimento lateral.
Movimento Lateral: BRICKSTORM facilita acesso a VMware vCenter, controladores de domínio e outros sistemas críticos.
Ecosistema de Malware Associado
UNC5221 utiliza um ecosistema de malware sofisticado chamado SPAWN, que inclui:
SPAWNANT:Installer/loader.
SPAWNMOLE:Tunneler para movimento lateral.
SPAWNSNAIL:SSH backdoor.
SPAWNCHIMERA: Variante adicional
ZIPLINE:Passive backdoor.
THINSPOOL:Dropper.
LIGHTWIRE:Web shell.
WARPWIRE:Credential harvester.
PHASEJAM:Dropper específico para Ivanti.
BRICKSTORM:Backdoor para VMware e Windows.
Padrão Operacional de UNC5221
Foco em Edge Devices: Preferência consistente por exploração de vulnerabilidades em appliances de perímetro (VPN, load balancers, etc.).
Zero-Day Exploitation: Histórico de acesso e exploração de vulnerabilidades zero-day.
Desenvolvimento Ativo: Contínuo desenvolvimento e modificação de malware.
Ofuscação de Origem: Uso de redes de appliances comprometidos (Cyberoam, QNAP, ASUS routers) para mascarar origem real.
Movimento Lateral Sofisticado: Após acesso inicial, movimento lateral para infraestrutura crítica com mínima telemetria
Persistência de Longo Prazo: Tempo médio de permanência não detectada de 393 dias.
O Tempo médio de permanência não detectada do BRICKSTORM é de 393 dias
Recomendações
Manter patches atualizados em todos appliances edge.
Implementar monitoramento especializado em dispositivos VPN e load balancers.
Usar MFA em todos acessos administrativos.
Implementar segmentação de rede adequada.
Monitorar atividades de reconhecimento (requisições sequenciais de versão).
Realizar busca ativa (hunt) por artefatos de BRICKSTORM em VMware vCenter.
Referências
Google Threat Intelligence Group. “Ivanti Connect Secure VPN Targeted in New Zero-Day Exploitation.” 8/12/2025
Google Threat Intelligence Group. “Suspected China-Nexus Threat Actor Actively Exploiting Critical Ivanti Connect Secure Vulnerability (CVE-2025-22457).” 3/04/2025
Mandiant Services. “Another BRICKSTORM: Stealthy Backdoor Enabling Espionage into Tech and Legal Sectors.” 24/09/2025
Adriano Mauro Cansian, Doutor em Física Computacional e Professor Associado e pesquisador da UNESP – Universidade Estadual Paulista, possui 30 anos de experiência em pesquisa, desenvolvimento e ensino de segurança cibernética. Fundador e coordenador do Laboratório ACME! Cybersecurity Research, e revisor das revistas “Computers & Security” e “International Journal of Forensic Computer Science“, consultor e membro de vários comitês e organizações técnicas para promover a pesquisa em segurança da informação, além de atuar como voluntário em organizações de governança da Internet.
Artur Spadoni | artur.spadoni@acmesecurity.org | 12/12/2025
1. Introdução
Como já discutido em uma postagem anterior aqui no “O Diário” O React é uma biblioteca gratuita e open-source para JavaScript, amplamente utilizada na construção de interfaces web modernas. Embora originalmente projetado para execução no lado do cliente, suas versões mais recentes passaram a integrar mecanismos de renderização no servidor por meio dos React Server Components, suportados pelo React Flight Protocol. Essa adoção massiva faz com que vulnerabilidades em seu ecossistema, especialmente nas camadas server-side introduzidas recentemente, possam ter impactos significativos. É o caso da vulnerabilidade apelidada “React2Shell”, catalogada como CVE-2025-55182 pela National Vulnerability Database (NVD) em 3 de dezembro de 2025.
Este relatório tem como objetivo apresentar e demonstrar uma Prova de Conceito (PoC) pública relacionada à CVE-2025-55182, como esta pode ser explorada e o porquê de ser alarmante e crítica.
Além disso, investigamos e descobrimos que, de 4 EDRs padrões de mercado testados, 3 deles não conseguiram detectar ou bloquear o ataque.
Serão descritos:
Aspectos técnicos da vulnerabilidade;
Um método de exploração em ambiente controlado; e
Como plataformas de monitoramento são essenciais para a mitigação de ataques cibernéticos.
2. Visão Geral
A CVE-2025-55182 é uma vulnerabilidade de execução remota de código (RCE) que afeta aplicações que utilizam React Server Components por meio do React Flight Protocol, incluindo frameworks como o Next.js até a versão 16.0.6. A falha permite que um atacante execute comandos arbitrários no servidor enviando payloads maliciosos em requisições POST. A exploração ocorre devido à forma inadequada como o servidor desserializa estruturas recebidas pelo RFP: as funções responsáveis pela reconstrução dos modelos, em especial reviveModel(), não validam corretamente objetos contendo o campo __proto__ e cadeias de métodos then. Isso possibilita a introdução de um pseudo-objeto capaz de manipular o protótipo e acessar o construtor global Function, utilizado para executar comandos do sistema operacional sem autenticação ou privilégios adicionais.
2.1. Detalhes Técnicos
De acordo com indicadores oficiais, os seguintes detalhes foram levantados:
Categoria
Detalhes
Severidade
CVSS 3.x: 10.0 (Critica)
Data de publicação
3 de dezembro de 2025
Complexidade de exploração
Baixa – Requer requisição POST para um servidor vulnerável
Produto afetado
React 19, Next.js 15.0.0 a 16.0.6
Fraqueza Associada
CWE-502 – Desserialização de informação não confiável
Pontuação EPSS
1`3.40 % (em 08/12/2025) 77.80% (em 10/12/2025) 76.01% (em 11/12/2025)
Patch de correção
Pacote NPM (lançado 5 de dezembro de 2025, 06h29 UTC)
Setores Alvos
E-commerce, SaaS, Fintech, Plataformas de Streaming
2.2. Principal Vetor
O principal vetor de exploração da CVE-2025-55182 consiste no envio de requisições POST contendo payloads maliciosos que se passam por objetos válidos do React Flight Protocol. Esses payloads utilizam pseudo-objetos, incluindo estruturas manipuladas com campos como __proto__ e cadeias then, que exploram a desserialização insegura realizada pelo servidor. Ao aceitar e processar esses objetos sem validação adequada, o RFP permite que o atacante desencadeie execução arbitrária de código no ambiente server-side.
2.3. Grupos de Criminosos
Segundo a equipe de threat intelligence da Amazon, diversos atores de ameaça classificados como China-nexus, incluindo Earth Lamia e Jackpot Panda, iniciaram a exploração da CVE-2025-55182 poucas horas após sua divulgação em 3 de dezembro de 2025. Em análises de casos semelhantes envolvendo vulnerabilidades de desserialização e execução remota de código. A Unit 42 observou que esses grupos tendem a desenvolver rapidamente variantes próprias dos exploits, ajustando payloads e técnicas de obfuscar para aumentar a taxa de sucesso e reduzir a detecção. Esse padrão, já documentado pela Unit 42 em outras campanhas com perfis similares, reforça a probabilidade de múltiplos atores terem adaptado rapidamente a PoC pública para explorar React2Shell de diferentes maneiras.
3. Explorando a CVE-2025-55182
Foram utilizados 5 ambientes de laboratório, a fim de simular ambientes vulneráveis e um atacante para testar o comportamento da CVE-2025-55182 e avaliar a competência de diferentes monitoradores de dispositivos (EDRs – Endpoint Detection and Response).
Os ambientes propositalmente vulneráveis foram configurados com sistema operacional Windows 11 e utilizando a versão vulnerável Next.js 16.0.0 para o web-server, totalizando 4 ambientes com soluções de EDR distintas (os nomes dos EDRs não serão divulgados). Para simular o atacante utilizou-se o Kali Linux sem modificações.
IMPORTANTE: Note que nosso foco foi pesquisar EDRs, portanto, propositalmente, não foram utilizadas outras camadas de proteção, tais como WAF ou firewall local. Note também que o ataque não seria possível caso o Next.js já tivesse sido atualizado, ou seja, a aplicação de path é uma das camadas de segurança capaz de deter esse ataque.
Os testes e ensaios foram realizados entre os dias 8 a 12/12/2025 no laboratório ACME! Cybersecutiry Research, na UNESP de São José do Rio Preto. Todos os experimentos foram repetidos 3 vezes para verificação de erros.
3.1. Construção do Exploit e Criação do Payload
A exploração foi realizada utilizando a PoC disponibilizada publicamente no GitHub em 4 de dezembro de 2025 pelo engenheiro de software Moritz Sanft (“msanft”). A PoC é composta por um script em Python responsável por construir o payload malicioso e enviá-lo a um servidor vulnerável. O repositório também inclui a pasta test-server, contendo um ambiente mínimo baseado em Next.js com React Server Components, utilizado para demonstrar a vulnerabilidade em funcionamento
De forma resumida, as etapas adotadas no laboratório foram as seguintes:
Instalar o Node.js e Next.js, nas versões vulneráveis nos ambientes alvo, garantindo que o projeto com RSC esteja devidamente configurado.
Acessar a pasta test-server ou o diretório correspondente pelo terminal, e executar o comando ‘npm run dev’ para iniciar o servidor.
No ambiente ofensivo (Kali Linux), executar o script ‘poc.py’ fornecido na PoC, informando argumentos necessários, simulando a execução remota.
PS C:\Users\[username]\Desktop\CVE2025-55182\test-server> npm install next
up to date, audited 357 packages in 3s
141 packages are looking for funding
run `npm fund` for details
1 critical severity vulnerability
Figura 1 – Node.js indicando vulnerabilidade crítica; note que a versão utilizada está, de fato, exposta.
3.2. Execução da PoC
O script da PoC (poc.py) aceita dois argumentos chaves, endereço IPv4+Porta (por exemplo, “127.0.0.0:80”) seguido pelo comando shell desejado ou payload (“whoami” ou até um reverse shell). Durante a execução no ambiente Kali Linux, o script constrói o ‘chunk’ serializado do Flight Protocol abusando da falha de desserialização, anexando a poluição do proto e o objeto “then-ável” que dispara durante a resolução do servidor nos ambientes.
┌─(kali@kali)-[~]└─$ python3 PoC_react/poc.py "http://172.31.222.25:3000" "echo pwnd by sylvester"500:N176530853660.8210:{"a":"$@1","f":"","b":"development"}1:D["time":0.649100000002363Z]1:E["digest":"pwnd by sylvester","name":"Error","message":"NEXT_REDIRECT","stack":[],"env":"Server","owner":null]┌─(kali@kali)-[~]└─$ python3 PoC_react/poc.py "http://172.31.222.25:3000" "dir"500:N176530855033Z.1970:{"a":"$@1","f":"","b":"development"}1:D["time":0.465700000006519]1:E["digest":"Volume in drive C has no label.\r\n Volume Serial Number is E86C-A9DF\r\n\r\n Directory of C:\Users\fantomas\Drive\PoC-2025-5-3-mail-main\test-server\n\n 12/09/2025 04:23 PM <DIR> . 12/09/2025 04:23 PM -0 .gitignore\r\n12/09/2025 04:28 PM 480 .gitignore\r\n12/09/2025 04:23 PM <DIR> next\r\n12/09/2025 04:23 PM 465 eslint.config.mjs\r\n12/09/2025 04:28 PM 257 next-env.d.ts\r\n12/09/2025 04:23 PM 1 33 next.config.ts\r\n12/09/2025 04:28 PM <DIR> node_modules\r\n12/09/2025 04:28 PM 227,243 package-lock.json\r\n12/09/2025 04:23 PM 567 package.json\r\n12/09/2025 04:23 PM <DIR> public\r\n12/09/2025 04:23 PM 1,450 README.md\r\n12/09/2025 04:23 PM 338,468 bytes\r\n12/09/2025 04:23 PM 0 File(s) 107,770,0 97,664 bytes free","name":"Error","message":"NEXT_REDIRECT","stack":[],"env":"Server","owner":null]
Figura 2 – Disparo da PoC pelo atacante
Invalid source map. Only conformant source maps can be used to find the original code. Cause: Error: sourceMapURL could not be parsed✖ Error: NEXT_REDIRECT at ignore-listed frames { digest: 'Volume in drive C has no label.\r\n' +'Volume Serial Number is E86C-A9DF\r\n' +'\r\n' +'Directory of C:\\Users\\jubaluba\\lala\\CVE-2025-55182-main\\test-server\r\n' +'\r\n' +'12/09/2025 04:28 PM <DIR> .\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM <DIR> ..\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM 480 .gitignore\r\n' +'12/09/2025 04:28 PM <DIR> .next\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM <DIR> app\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM 107,113 bun.lock\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM 465 eslint.config.mjs\r\n' +'12/09/2025 04:28 PM 257 next-env.d.ts\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM 133 next.config.ts\r\n' +'12/09/2025 04:28 PM <DIR> node_modules\r\n' +'12/09/2025 04:28 PM 227,243 package-lock.json\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM 567 package.json\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM 94 postcss.config.mjs\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM <DIR> public\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM 1,450 README.md\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM 666 tsconfig.json\r\n' +' 10 File(s) 338,468 bytes\r\n' +' 6 Dir(s) 107,770,097,664 bytes free'}POST / 500 in 43ms (compile: 4ms, render: 39ms)
Figura 3 – Execução remota no servidor
File "/usr/lib/python3/dist-packages/requests/sessions.py", line 589, in request resp = self.send(prep, **send_kwargs)File "/usr/lib/python3/dist-packages/requests/sessions.py", line 703, in send r = adapter.send(request, **kwargs)File "/usr/lib/python3/dist-packages/requests/adapters.py", line 682, in send raise ConnectionError(err, request=request)requests.exceptions.ConnectionError: ('Connection aborted.', ConnectionResetError(104, 'Connection reset by peer'))┌─(kali@kali)-[~]└─$ python3 PoC_react/poc.py "http://172.31.222.21:3000""dir" █
Figura 4 – Mensagem de erro no ambiente atacante após ser interceptado
3.4 Consideraçõe éticas e créditos
Todos os testes foram feitos em rede isolada de laboratório, com versões fora de produção (React 19.00 – 19.2.0), e divulgadas apenas após mitigação; pesquisadores devem creditar devidamente a PoC utilizada, neste caso a Moritz Sanft, e aderir divulgações similares.
O PoC de Sanft explora uma aplicação Next.js padrão (criada via create-next-app), enviando payloads em parâmetros como “0” e “1” para manipular chunks de resposta e executar comandos como “id > /tmp/pwned” via child_process.execSync. Diferente de PoCs iniciais não funcionais (como ejpir/CVE-2025-55182-poc), o código de Sanft foi amplamente adotado em scans reais, precedendo o PoC oficial de Lachlan Davidson.
O repositório oficial é https://github.com/msanft/CVE-2025-55182, contendo explicação detalhada e código completo de RCE para React Server Functions em Next.js. Foi lançado em 4 de dezembro de 2025.
4. Resultados e Observações
Nos testes realizados com os ambiente, observou-se o seguinte comportamento:
Dos 4 agentes de proteção (EDRs) testados, apenas um conseguiu detectar e impedir a atividade maliciosa em tempo real. O agente gerou alertas específicos:
O Monitorador de Rede bloqueou uma tentativa de ataque.
– A tentativa mal-intencionada Exploit.CommandInjection.299[…]
– A tentativa mal-intencionada Exploit.HTTP.CVE-2025-55182[…]
Os alertas identificaram o exploit, a CVE relacionada e o local sendo atacado, além de impedir o ataque. Para os outros 3 ambientes testados, o payload foi extraído sem qualquer alerta, demonstrando a criticidade e evidenciando a necessidade de reforçar os EDR’s com métodos de mitigação, adequados a esta vulnerabilidade, e outras camadas de segurança.
A tabela a seguir resume os resultados observados:
Ambiente
EDR/Antivírus
Execução do Ataque
Alertas?
Bloqueio?
1
EDR XPToA
Sucesso
Não
Não
2
EDR XPToB
Sucesso
Não
Não
3
EDR XPToC
Sucesso
Não
Não
4
EDR XPToD
Bloqueado
Sim
Sim
4.1. Sobre os ambientes que não perceberam qualquer atividade
Os resultados de execução imediata do comando confirmam a necessidade de apenas acessar a rede, dispensando autenticação ou elevação de privilégios, o que permite inferir que a exploração ocorre como um ponto cego nos sistemas que ainda não possuem assinaturas ou modelos de detecção ajustados para o protocolo Flight ou requisições POST em geral.
4.2 Sobre o ambiente que detectou e bloqueou o ataque
Os alertas foram precisos e mencionaram explicitamente a tentativa de injeção de comando, exploração vinculada ao CVE-2025-55182 e a identificação do endpoint alvo. Isso confirma a eficiência e necessidade de agentes monitoradores atualizados e competentes para a segurança de servidores abertos à Internet, uma vez que não é possível prever o surgimento de toda vulnerabilidade capaz de destruir o sistema alvo.
5. Conclusões
A vulnerabilidade CVE-2025-55182 apresenta características típicas de uma falha altamente explorável, combinando baixa complexidade, impacto máximo, exploração silenciosa e ampla superfície de ataque (React + Next.js).
Os resultados laboratoriais evidenciam que assinaturas tradicionais não são suficientes para detectar o ataque — detecção comportamental em nível de processo e rede é determinante para identificar anomalias — e explicam o curto intervalo de tempo entre divulgação e exploração, pela facilidade desta, com grupos ativamente desenvolvendo variantes.
Ambientes que dependem apenas do antivírus nativo ou ferramentas desatualizadas ficam completamente expostos.
6. Mitigação e Recomendações
Para mitigar a vulnerabilidade CVE-2025-55182, recomenda-se:
Atualizar o Next.js para versão 16.0.7 ou superior – Sendo a ação mais crítica e urgente para todos os ambientes de produção.
Monitorar eventos ou tentativas de execução de payload – Implementar regras de detecção em plataformas EDR para identificar requisições POST suspeitas direcionadas a Server Functions.
Implementar Web Application Firewall (WAF) com regras para detectar chaves com ‘$’ e ‘:’ já que são características de ataques abusando dessa vulnerabilidade.
Manter logs detalhados de requisições POST e analisar regularmente para atividades suspeitas.
Realizar auditorias de segurança em aplicações React/Next.js para identificar potenciais pontos de exposição.
Caso necessário, é possível atribuir um limite de recursos ao processo do Node.js, isolar em containers (Hardening) ou feature flags para desativar parcialmente a RSC onde não for necessária.
REFERÊNCIAS
[1] NIST National Vulnerability Database, “CVE-2025-55182,” NVD, 3 de dezembro de 2025. [Online]. Disponível em: https://nvd.nist.gov/vuln/detail/CVE-2025-55182. [Acessado em: 10-Dez-2025].
[2] msanft, “CVE-2025-55182,” GitHub, 4 de dezembro de 2025. [Online]. Disponível em: https://github.com/msanft/CVE-2025-55182. [Acessado em: 10-Dez-2025].
[3] CJ Moses, “China-nexus cyber threat groups rapidly exploit React2Shell vulnerability (CVE-2025-55182),” Amazon Security Blog, 4 de dezembro de 2025. [Online]. Disponível em: https://aws.amazon.com/blogs/security/china-nexus-cyber-threat-groups-rapidly-exploit-react2shell-vulnerability-cve-2025-55182/. [Acessado em: 10-Dez-2025].
[4] Rapid7, “React2Shell (CVE-2025-55182) – Critical unauthenticated RCE affecting React Server Components,” Rapid7 Blog, 4 de dezembro de 2025 (lançamento); 8 de dezembro de 2025 (atualização). [Online]. Disponível em: https://www.rapid7.com/blog/post/etr-react2shell-cve-2025-55182-critical-unauthenticated-rce-affecting-react-server-components/. [Acessado em: 10-Dez-2025].
O valor do EPSS saltou de 13,9% em 08/12/2025 para 76,01% HOJE 11/12/2025.
Com um valor de CVSS 10,0 é fundamental que sejam aplicadas as medidas de resolução imediatamente.
1. Introdução
No início de dezembro de 2025, uma vulnerabilidade de severidade crítica, apelidada de React2Shell, emergiu, abalando a comunidade de desenvolvimento web.
Identificada oficialmente como CVE-2025-55182, trata-se de uma falha de Execução Remota de Código Não Autenticada ou Unauthenticated Remote Code Execution (Unauthenticated RCE) e recebeu a pontuação máxima de 10.0 no Common Vulnerability Scoring System (CVSS), sinalizando um risco extremo para uma vasta gama de aplicações modernas.
Uma Execução Remota de Código Não Autenticada é uma vulnerabilidade que permite a um atacante executar comandos ou código arbitrário em um servidor remoto sem necessidade de possuir credenciais válidas ou autenticação prévia.
Diferentemente de vulnerabilidades que exigem que o invasor esteja logado ou tenha acesso autorizado ao sistema, uma Unauthenticated RCEpode ser explorada por qualquer pessoa com acesso à rede (geralmente a internet), tornando-a extremamente perigosa.
A vulnerabilidade reside no coração dos React Server Components (RSC), uma tecnologia cada vez mais adotada em frameworks populares como Next.js, afetando potencialmente mais de 40% dos principais websites da Internet.
Este artigo oferece uma análise técnica aprofundada da React2Shell, detalhando seu mecanismo de exploração, o impacto que pode causar e as medidas essenciais que as equipes de segurança e desenvolvimento devem tomar para mitigar esta ameaça iminente.
2. O Mecanismo da Exploração: Desserialização Insegura
A React2Shell NÃO é uma vulnerabilidade comum. Sua periculosidade reside na simplicidade de sua exploração.
Um atacante, sem qualquer tipo de autenticação, pode comprometer completamente um servidor vulnerável através de uma única requisição HTTP POST maliciosamente elaborada.
A raiz do problema está na forma como os React Server Components lidam com a desserialização de dados.
Quando um cliente envia uma requisição para um endpoint que utiliza Server Functions, o React transforma os dados recebidos em chamadas de função do lado do servidor.
Durante este processo, a vulnerabilidade permite que um payload manipulado seja desserializado sem as devidas validações de segurança. Isso cria um caminho direto para que o atacante injete e execute código arbitrário com os mesmos privilégios do processo do servidor Node.js, abrindo as portas para um comprometimento total do sistema.
2. Análise de Impacto: As Consequências de uma Exploração Bem-Sucedida
Uma vulnerabilidade de RCE pré-autenticação é o ativo mais cobiçado no arsenal de um agente malicioso. No caso da React2Shell, as consequências de uma exploração bem-sucedida são catastróficas e podem se manifestar de várias formas:
Comprometimento Total da Infraestrutura: O atacante obtém controle total sobre o servidor, permitindo acesso irrestrito ao sistema de arquivos, roubo de credenciais e a instalação de backdoors para acesso persistente.
Exfiltração de Dados Sensíveis: Uma vez dentro do sistema, o invasor pode acessar e exfiltrar informações críticas, como bancos de dados de clientes, segredos de aplicação (chaves de API, tokens), propriedade intelectual e lógica de negócios.
Movimento Lateral na Rede: O servidor comprometido torna-se um ponto de pivô, a partir do qual o atacante pode lançar novas ofensivas contra outros sistemas internos, bancos de dados e recursos na nuvem, expandindo o alcance do ataque por toda a organização.
Ataques de Ransomware e Interrupção de Negócios: Com controle total, os atacantes podem implantar ransomware, criptografando dados vitais e exigindo um resgate, ou simplesmente interromper as operações, causando perdas financeiras e danos à reputação.
2. Descrição Técnica
A vulnerabilidade decorre de desserialização insegura no protocolo Flight, mecanismo responsável por transportar estruturas dos Server Components entre cliente e servidor.
Ao receber um payload malicioso, o servidor interpreta dados arbitrários como referências de função, o que permite execução remota de código com privilégios equivalentes ao processo Node.js.
Condições de exploração
Não exige autenticação;
Não exige cookie, API key ou token;
Pode ser explorada por qualquer atacante com acesso ao endpoint RSC;
Vetor principal: HTTP POST com conteúdo Flight manipulado.
Impacto técnico
Execução remota de código (RCE);
Execução arbitrária de processos no host ou container;
Exfiltração de dados sensíveis;
Movimento lateral;
Possível comprometimento total de infraestrutura (quando mal configurada).
3. Sistemas Afetados
3.1 React e bibliotecas centrais
Conforme registros do NVD:
Pacote
Versões vulneráveis
Versões corrigidas
react-server-dom-webpack
19.0.0 a 19.2.0
19.0.1+, 19.1.2+, 19.2.1+
react-server-dom-parcel
19.0.0 a 19.2.0
19.0.1+, 19.1.2+, 19.2.1+
react-server-dom-turbopack
19.0.0 a 19.2.0
19.0.1+, 19.1.2+, 19.2.1+
3.2 Frameworks afetados
Next.js versões 15.x e 16.x; Associado adicionalmente ao CVE-2025-66478, conforme documentação CISA/NVD.
React Router com RSC;
Expo;
RedwoodJS;
Waku;
Plugins de integração RSC para Vite, Parcel e Turbopack.
4. Vetor de Ataque e Indicadores de Exploração
4.1 Vetor primário
POST /<endpoint-rsc>
Content-Type: application/json
Payload malformado contendo blocos Flight manipulados
4.2 Indicadores observáveis
Logs de erro do Flight referentes a parsing inesperado;
Picos súbitos de CPU em processos Node.js;
Tentativas de criação de processos via child_process.spawn/exec;
Comunicação egressa para hosts desconhecidos
Criação de artefatos suspeitos em /tmp em containers Linux
Comprometimento de clusters Kubernetes negligentemente isolados;
Uso da vulnerabilidade para implantação de webshells e reverse shells.
5. Mitigação
5.1 Patching obrigatório
Aplicar imediatamente as versões corrigidas dos pacotes React RSC e atualizar aplicações Next.js para releases não vulneráveis.
5.2 Controles compensatórios (temporários)
Regras de WAF para bloquear payloads suspeitos do protocolo Flight;
Monitoramento agressivo de tráfego de egressão;
Habilitar logs completos de chamadas RSC;
Bloquear criação de processos filho por Node.js quando possível;
Reforçar políticas noexec em diretórios temporários.
5.3 Defesa em profundidade
Execução do Node.js com mínimo privilégio;
Isolamento adequado de containers e namespaces;
Mecanismos RASP como camada adicional;
6. Avaliação de Risco
A vulnerabilidade é considerada Crítica, nível máximo no CVSS 10.0, devido a:
Exploração ativa confirmada globalmente
Ausência de barreiras de autenticação
Impacto direto em aplicações amplamente adotadas (React/Next.js)
Possibilidade de comprometimento total do ambiente
É altamente recomendável priorizar a correção em ambientes expostos à internet.
6.1. Sobre o EPSS e CVVS Score para React2Shel
Métrica
Valor
Score Inicial
0.46%
Score Atual
13.86% (8 de dezembro de 2025) 76,01% (atualizado em 11/12/2025)
Percentil
Em atualização contínua
O Problema: Uma Discrepância Crítica
Existe uma divergência significativa entre o CVSS (10.0 – Crítico) e o EPSS (13.86%), que revela uma limitação importante dos sistemas de scoring automatizados.
É importante entender que o EPSS é um “indicador retardado” (lagging indicator).
Embora tenha subido de 0.46% para 13.86% desde o início da publicação do CVE, ainda está muito abaixo do que os níveis reais de exploração justificariam, porque:
Exploração Ativa em Andamento: Grupos de ameaças vinculados à China já foram observados explorando a vulnerabilidade (AWS)
Liderança em Bug Bounty: É o #1 CVE mais explorado na plataforma HackerOne
Remediação Acelerada: Organizações estão remediando em menos de um dia em média
Escala Massiva: Mais de 12 milhões de sites potencialmente vulneráveis.
O Que Isso Significa
O EPSS demonstra que sistemas de scoring automatizados podem não acompanhar o ritmo de exploração em tempo real. Isso ressalta a importância de:
Não depender apenas de scores automatizados para priorização de vulnerabilidades críticas.
Usar feedback em tempo real de comunidades de segurança (bug bounty, threat intelligence).
Considerar o contexto operacional além dos scores numéricos
Adriano Mauro Cansian, Doutor em Física Computacional e Professor Associado e pesquisador da UNESP – Universidade Estadual Paulista, possui 30 anos de experiência em pesquisa, desenvolvimento e ensino de segurança cibernética. Fundador e coordenador do Laboratório ACME! Cybersecurity Research, e revisor das revistas “Computers & Security” e “International Journal of Forensic Computer Science“, consultor e membro de vários comitês e organizações técnicas para promover a pesquisa em segurança da informação, além de atuar como voluntário em organizações de governança da Internet.
Data: 14/11/2025 Severidade: Crítica – CVSS 9.8 Status: Explorada ativamente desde outubro/2025 Produtos afetados: FortiWeb 7.0 a 8.0 (múltiplas versões)
Resumo Executivo
Em 14 de novembro de 2025, a Fortinet e a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos EUA (CISA) divulgaram um alerta sobre uma vulnerabilidade crítica de Path Traversal (CWE-23) que afeta os produtos FortiWeb, o Web Application Firewall (WAF) da Fortinet. A falha, identificada como CVE-2025-64446, possui uma pontuação CVSSv3 de 9.8 (Crítica) e está sendo ativamente explorada por atacantes desde o início de outubro de 2025 1.
A vulnerabilidade permite que um atacante não autenticado execute comandos administrativos remotos em sistemas vulneráveis, levando a um comprometimento total do dispositivo. A CISA já adicionou esta falha ao seu catálogo de Vulnerabilidades Exploradas Conhecidas (KEV), com um prazo de remediação obrigatório até 21 de novembro de 2025
1. Visão Geral da Vulnerabilidade
A CVE-2025-64446 é uma vulnerabilidade crítica de Path Traversal (CWE-23) combinada com bypass de autenticação, permitindo que um atacante não autenticado execute operações administrativas via CGI (fwbcgi).
Esta é a terceira vulnerabilidade crítica da linha FortiWeb nos últimos 18 meses, reforçando o padrão preocupante de falhas severas na superfície de ataque de dispositivos de borda da Fortinet.
A falha ocorre em dois estágios principais:
Path Traversal no endpoint /api/v2.0/…
Impersonação via header CGIINFO (base64) aceito pela função cgi_auth() sem validação real
O resultado é o comprometimento total do dispositivo FortiWeb, com capacidade de persistência, desvio de políticas de segurança e movimentação lateral na rede.
A falha foi adicionada em 14/11/2025 ao catálogo CISA KEV (Known Exploited Vulnerabilities Catalog) com prazo de mitigação obrigatório até 21/11/2025.
2. Detalhes de Exploração
2.1 Estágio 1 – Path Traversal
No primeiro estágio, o atacante utiliza um endpoint de API válido para escapar do diretório esperado e alcançar o executável administrativo fwbcgi:
POST /api/v2.0/cmd/system/admin%3F/../../../../../cgi-bin/fwbcgi HTTP/1.1
O Path Traversal permite que requisições atinjam o binário fwbcgi, responsável por operações administrativas no dispositivo.
2.2 Estágio 2 – Impersonação via CGIINFO
O binário fwbcgi utiliza a função cgi_auth(), que:
não valida corretamente credenciais de autenticação;
aceita um header HTTP chamado CGIINFO;
confia em informações de identidade fornecidas em JSON, codificadas em Base64.
Exemplo de payload JSON, antes de ser codificado em Base64:
Quando esse payload é aceito, o sistema concede privilégios administrativos completos, permitindo ao atacante criar novas contas, alterar configurações e manter persistência no dispositivo.
3. Impacto Operacional
Um atacante que explore com sucesso a CVE-2025-64446 pode:
Criar usuários administradores persistentes e ocultos;
Modificar políticas, regras e perfis de proteção do WAF;
Desabilitar ou contornar mecanismos de segurança;
Exfiltrar dados inspecionados e registrados pelo WAF;
Realizar movimentação lateral a partir do dispositivo comprometido.
Por se tratar de um WAF de borda, a vulnerabilidade abre um vetor crítico para ataques internos a partir de um equipamento que, normalmente, é considerado parte da camada de proteção.
4. Versões Afetadas (Confirmadas)
Produto
Versões Vulneráveis
FortiWeb 8.0
8.0.0 – 8.0.1
FortiWeb 7.6
7.6.0 – 7.6.4
FortiWeb 7.4
7.4.0 – 7.4.9
FortiWeb 7.2
7.2.0 – 7.2.11
FortiWeb 7.0
7.0.0 – 7.0.11
5. Ação Recomendada (Imediata)
5.1 Atualizar Firmware – Única Remediação Definitiva
Além disso, monitorar requisições contendo o header CGIINFO com conteúdo Base64, principalmente oriundas de IPs externos ou não autorizados.
CGIINFO: <string_base64_suspeita>
IPs com múltiplas tentativas de POSTpara esses caminhos devem ser tratados como suspeitos, com correlação adicional em outros logs.
6.2 Sistema / Configurações
Nos próprios dispositivos FortiWeb, verificar:
Criação de novas contas de administrador, principalmente a partir de outubro de 2025;
Contas com perfil de acesso prof_admin ou super_admin não reconhecidas pela equipe de segurança;
Configurações de trust host definidas como 0.0.0.0/0 ou ::/0 em contas administrativas;
Alterações não autorizadas em políticas, perfis, certificados e regras de inspeção.
7. Procedimentos de Resposta a Incidente
Em caso de suspeita de exploração da CVE-2025-64446, recomenda-se o seguinte fluxo para equipes de Blue Team / CERT / CSIRT:
Isolar o dispositivo: restringir acesso administrativo externo, mantendo apenas o mínimo necessário para análise e operação.
Coletar logs: exportar logs de sistema, eventos, auditoria e administração para um servidor seguro de análise.
Revisar contas de usuário: identificar contas administrativas novas ou modificadas, sobretudo com perfis elevados.
Analisar headers CGIINFO: quando possível, decodificar strings Base64 para determinar tentativas de impersonação de administradores.
Aplicar atualização de firmware para as versões corrigidas recomendadas pela Fortinet.
Revalidar configuração: revisar políticas, objetos, perfis e parâmetros de segurança para identificar alterações maliciosas.
Verificar persistência: buscar scripts, agendamentos, acessos remotos ou configurações suspeitas que indiquem backdoors.
Monitorar pós-correção: manter monitoramento reforçado por pelo menos 72 horas após a atualização e a revisão de segurança.
8. Conclusão
A CVE-2025-64446 representa uma vulnerabilidade de alta criticidade em dispositivos FortiWeb, com exploração ativa e baixo nível de complexidade técnica para o atacante. Dispositivos expostos à Internet, principalmente em ambientes de alta criticidade, estão sob risco significativo.
A atualização para versões corrigidas deve ser tratada como prioridade máxima em planos de resposta a incidentes e gestão de vulnerabilidades, especialmente em:
Provedores de serviços de Internet (ISPs e provedores regionais);
Órgãos públicos e infraestruturas críticas;
Instituições financeiras e meios de pagamento;
Ambientes acadêmicos com grande exposição de aplicações web;
Empresas que utilizam o FortiWeb para proteger aplicações sensíveis.
Equipes de segurança devem tratar essa vulnerabilidade como um incidente de severidade máxima, combinando correção, caça a ameaças (threat hunting) e monitoramento contínuo.
Adriano Mauro Cansian, Doutor em Física Computacional e Professor Associado e pesquisador da UNESP – Universidade Estadual Paulista, possui 30 anos de experiência em pesquisa, desenvolvimento e ensino de segurança cibernética. Fundador e coordenador do Laboratório ACME! Cybersecurity Research, e revisor das revistas “Computers & Security” e “International Journal of Forensic Computer Science“, consultor e membro de vários comitês e organizações técnicas para promover a pesquisa em segurança da informação, além de atuar como voluntário em organizações de governança da Internet.
Nos últimos dias, a comunidade de segurança da informação voltou sua atenção para uma vulnerabilidade crítica que afeta roteadores da TP-Link, um dos fabricantes mais populares de equipamentos de rede do mundo.
Ainda que eu não acredite que essa vulnerabilidade sozinha possa representar grande risco para atores que não sejam de alto interesse, o uso combinado dessa vulnerabilidade com outras pode levar algum risco significativo, principalmente para pequenos negócios. De qualquer forma, não é bom ficar com vulnerabilidades em sua casa ou na sua empresa. Então, vamos explicar do que ela se trata e como mitigá-la, visto que o produto é descontinuado e ela não terá conserto definitivo.
A falha, identificada como CVE-2023-50224 está sendo ativamente explorada por agentes maliciosos, o que levou a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos EUA (CISA) a incluí-la em seu catálogo de vulnerabilidades conhecidas e exploradas (KEV). Não é uma vulnerabilidade teórica. A exploração ativa desta falha é antiga e remonta a 2023, sendo atribuída a uma botnet com objetivos de espionagem.
Análise da vulnerabilidade CVE-2023-50224
Descrição: trata-se de uma vulnerabilidade de evasão de autenticação por spoofing no serviço httpd do roteador TP-Link TL-WR841N. A falha permite que um atacante acesse o arquivo /tmp/dropbear/dropbearpwd, que contém credenciais de usuário, sem precisar de autenticação. Essencialmente, a vulnerabilidade abre uma porta para o roubo de senhas do roteador.
Produtos afetados: O principal produto afetado é o TP-Link TL-WR841N, um modelo extremamente popular e amplamente utilizado em residências e pequenos escritórios. Infelizmente, este modelo é considerado End-of-Life (EoL), o que significa que o fabricante não fornecerá mais atualizações de firmware para corrigir a falha.
Data de publicação: A vulnerabilidade foi divulgada publicamente em 19 de dezembro de 2023, mas foi adicionada ao catálogo KEV da CISA em 3 de setembro de 2025, após a confirmação de exploração ativa.
Severidade: Média (CVSS v3.1: 6.5 - AV:A/AC:L/PR:N/UI:N/S:U/C:H/I:N/A:N). Embora a pontuação não seja classificada como “Crítica”, o impacto real, se explorada, é extremamente alto devido à facilidade de exploração e ao fato de levar ao comprometimento total do dispositivo.
EPSS: 4.50% (baixa probabilidade de exploração nos próximos 30 dias).
Percentil EPSS: 88.70% indica que a pontuação é igual ou superior à de aproximadamente 88.7% das outras vulnerabilidades catalogadas, representando um risco significativamente elevado. Entenda mais sobre “percentil” no EPSS [nesse link].
Outras informações: A exploração desta vulnerabilidade está associada à botnet Quad7 (também conhecida como CovertNetwork-1658), que tem sido ligada a grupos de ameaças com objetivos de espionagem. Em vez de usar os roteadores para ataques de negação de serviço (DDoS), os atacantes os transformam em proxies secretos para lançar outros ataques, como roubo de credenciais de serviços em nuvem (Microsoft 365, etc.).
O Impacto Real: O Que Significa Para Você?
O comprometimento de um roteador vai muito além da simples perda de acesso à internet. Um atacante com controle sobre seu roteador pode:
Interceptar todo o seu tráfego de internet: Isso inclui senhas, dados bancários, e-mails e qualquer outra informação não criptografada que passe pela sua rede.
Redirecionar seu tráfego para sites falsos: O atacante pode realizar ataques de phishing em nível de rede, redirecionando você para um site falso do seu banco, por exemplo, para roubar suas credenciais.
Usar sua rede para atividades ilegais: Como mencionado, os roteadores comprometidos estão sendo usados como uma rede de proxies para lançar ataques contra outras vítimas. Isso significa que sua rede pode ser implicada em atividades criminosas.
Atacar outros dispositivos na sua rede: O roteador pode ser usado como um ponto de partida para atacar outros dispositivos conectados à sua rede local, como computadores, smartphones e dispositivos de IoT (câmeras, assistentes de voz, etc.).
O fato de o TP-Link TL-WR841N ser um dispositivo EoL agrava enormemente o risco. Não haverá uma correção oficial do fabricante. Se você possui este roteador, ele permanecerá vulnerável para sempre.
Recomendações: O Que Fazer Agora?
Dado o risco e a falta de um patch, a recomendação é clara e urgente.
Mitigação Primária (Ação Imediata)
Substitua o roteador imediatamente: Esta é a única maneira de garantir que sua rede esteja protegida contra esta vulnerabilidade. Desconecte o TP-Link TL-WR841N e substitua-o por um modelo de um fabricante confiável que ainda receba atualizações de segurança.
Mitigações Secundárias (Medidas Paliativas)
Se a substituição imediata não for possível, tome as seguintes medidas para reduzir o risco, mas entenda que elas não eliminam a vulnerabilidade:
Desative o gerenciamento remoto: Certifique-se de que o painel de administração do seu roteador não esteja acessível a partir da internet (WAN).
Altere a senha do administrador: Use uma senha forte e exclusiva. Embora a vulnerabilidade permita o roubo dessa senha, alterá-la pode dificultar o acesso se o atacante ainda não tiver explorado a falha.
Isole a rede: Se possível, crie uma rede de convidados (Guest Network) para dispositivos menos confiáveis e use a rede principal somente para dispositivos essenciais.
Conclusão
Verifique o modelo do seu roteador. Se for um TP-Link TL-WR841N, é recomendado que você adote as medidas de mitigação. A CVE-2023-50224 é um lembrete dos perigos associados ao uso de hardware de rede desatualizado. Roteadores são a porta de entrada para a internet e, quando comprometidos, colocam toda a sua vida digital em risco. A exploração ativa desta falha por grupos organizados mostra que mesmo vulnerabilidades de severidade “Média” podem ter consequências devastadoras no mundo real.
Adriano Mauro Cansian, Doutor em Física Computacional e Professor Associado e pesquisador da UNESP – Universidade Estadual Paulista, possui 30 anos de experiência em pesquisa, desenvolvimento e ensino de segurança cibernética. Fundador e coordenador do Laboratório ACME! Cybersecurity Research, e revisor das revistas “Computers & Security” e “International Journal of Forensic Computer Science“, consultor e membro de vários comitês e organizações técnicas para promover a pesquisa em segurança da informação, além de atuar como voluntário em organizações de governança da Internet.